MARRABENTA

Arranjadinhos, saímos de casa já noite escura, para assistirmos pela primeira vez ao Festival da Marrabenta - Festa da Música Popular e Urbana.

Nascida no sul de Moçambique, nos meios urbanos, esta dança musical, extremamente sensual, apresenta várias influências desde a portuguesa, passando pelo folk e ainda pelo pop. Na sua origem está a palavra portuguesa "rebentar" ou "arrebentar". O seu nome deriva dos vários insucessos das guitarras baratas cujas cordas rebentavam com o auge da música.

Banda do Exército
O Centro Cultural Franco Moçambicano encheu-se de cores e de música. A abertura esteve a cargo da Banda do Exército, que com os seus instrumentos de sopro e percussão, deram as boas vindas a quem compareceu. Casa cheia, malta com ritmo incorporado, peles brancas e negras unidas numa vontade de abanar, chocalhar, tremer, sacudir. O som é alto, o ritmo é de batida e o corpo não resiste. Sentados nos bancos de pau, fomos assistindo ao desfilar dos grandes músicos moçambicanos. As letras falam de amor, vida quotidiana, sociedade e liberdade.  Uns com mais garra, outros com mais nome, todos foram introduzindo no nosso corpo as vontades que fazem dançar. As belas bailarinas de caras felizes contagiavam-nos com graça e sensualidade. A loucura de quem sabe changana invadiu o espaço, ficando o simples apreciar para aqueles que não são da casa. Mas a música não tem língua e todos sentimos a mensagem.

85 anos de Marrabenta
Considerada no tempo dos portugueses como uma dança subversiva, revolucionária, a Marrabenta foi perseguida e aniquilada sempre que se fazia ouvir. Nascida na época áurea de Lourenço Marques, tornou-se popular na década de 80.  Com a Orquestra Marrabenta Star e Wazimbo entre outros, o mundo descobriu o encanto da sensualidade africana na dança.

Wazimbo
Foram três horas e meia de ritmo africano que se prolonga por 10 dias. A festa passará pelas cidades da Matola, Xipamanine, Marracuene, Matalane, Chibuto e Chokwe. Ninguém ficará indiferente a esta festa que é do povo, que é da mulher, que é do mundo.

Viva a Marrabenta!

CSD


Comentários

  1. Acredito que amamos as coisas através das pessoas...
    Continua a escrever "novas" dessa terra e dessa gente.
    Beijinhos.

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