segunda-feira, 22 de maio de 2017

"NEVER SURRENDER"

Fomos à bola! 

Foi o nosso baptismo na AFL ou seja, Australian Football League. Foi uma aprendizagem completa.

Inicialmente apelidada de Victorian Football League, passa a AFL em 1990. Esta liga que se joga durante o inverno australiano ou seja de Março a Setembro, é composta por 18 equipas representando todos os estados da Austrália.  

Spotless Stadium - Sydney Olympic Parck
Giants vs Richmond (Tigers)
Semelhanças com o nosso futebol, nenhumas! Começa por ser um desporto de contacto onde os 18 jogadores se posicionam no campo oval conforme acharem oportuno, e cuja missão é pontapearem a bola esquisita em direcção a dois altíssimos postes. Se passar bem no meio, 6 pontos, se passar ao lado mas no meio dos postes mais baixos, 1 ponto. São 4 tempos de jogo completamente acelerados. Mais regras, não sei! Várias linhas coloridas pintadas num campo estranho, onde o que se passa no ponto oposto só é visível no ecrã do estádio! A preparação física é notória, pois contrariamente aos "armários" do rugby, estes são atletas altos, esguios e rápidos.  

E nós fomos apoiar os Giants! "There's a Giant in all of us"!

Torcida Giants
Equipados com as cores do clube e a convite de um grande amigo, preparámo-nos para a festa. Confesso que o início foi complicado para o nosso clube. Os Tigers entraram literalmente ao ataque e muitas foram as bolas que passaram mesmo no meio do poste mais alto, ou seja, um somatório de 6 + 6 + 6 ... "Go Giants", era a palavra de ordem!

Ataque alucinante
Se dentro do campo a coisa estava morna, fora...quase adormecida! Não era um "jogo grande" mas até nisto o nosso futebol é bem mais efervescente! Cânticos de apoio... poucos, "Hollas" ... nada, e os afamados palavrões, tão libertadores em ocasiões de pressão...nem um. A assistir, muitas famílias com crianças pequenas, bastantes grupos de jovens laranjas resignados à sorte, e depois este grupo, que tentando entender as regras, fazia a festa laranja o melhor que podia e sabia.

Equipado a rigor
Yish! Estamos a perder!
Isto está mau!
E não é que no fim deu tudo certo? A enorme desvantagem persistiu até 10 minutos do final do encontro! Subitamente a bola esquisita começa a bombardear os postes grandes dos Tigers e ... 

Giants 78 vs Tigers 75! 

Para primeira ida à bola, até que foi surpreendente e emocionante. E "NEVER SURRENDER é para cumprir! Havemos de repetir.

CSD

sexta-feira, 12 de maio de 2017

"WAIT AWHILE" - PERTH E ARREDORES

A Austrália Ocidental fica lá, do outro lado deste continente sem fim. Diametralmente oposta a Sydney, Perth é capital do estado e uma metrópole conhecida como a cidade mais isolada de todo o planeta. Mais perto de Timor-Leste e da Indonésia do que das suas congéneres australianas, esta Perth merecia uma visita. 

Ponto Zero quilómetros
Chegámos já de madrugada após 5 horas de voo. Perth, estranhamente calma, recebeu-nos sem grande glamour. É uma cidade moderna onde o progresso se mostra através das inúmeras construções que vão germinando a céu aberto. Banhada pelo rio Swan, numa alusão aos Cisnes Negros que o habitavam por volta da 1697, Perth é uma cidade sem o peso da história. Orgulhosamente, os seus habitantes vangloriam-se de não descenderem dos "convicts", ou seja, dos primeiros colonizadores que mais não eram do que os condenados deportados do Reino Unido da Grã-Bretanha! "Good for you!"   

Perth CBD - Center Business Distric
Amanheceu luminoso e quentinho. Vestimos o fato aventureiro e partimos à descoberta da história e das surpresas desta cidade. Começamos pelo Free Walk, o cocktail ideal de boas vindas. Acompanhados pelo experiente guia fomos percorrendo ruas e becos, conhecendo a pouca história que a cidade tem para oferecer. Fundada em 1829, é ainda criança comparativamente à nossa Lisboa, e isso aguça a nossa curiosidade. 

Catedral de São Jorge - Anglicana


Perth
Paragem obrigatória: A Bell Tower na Barrack Square. Esta Torre inaugurada no ano 2.000 alberga um conjunto de 18 sinos, 12 dos quais provenientes da famosa igreja St. Martin-in-the-Fields, situada na Trafalgar Square, em Londres. Em 1988 o Governo Londrino ofereceu-os ao Estado da Austrália Ocidental, livrando-os assim de uma fundição anunciada. Hoje, enchem de música a cidade de Perth. 

The Bell Tower

"They have Big Ben; we have Big Bells"

Ao fundo, o lado sul de Perth
Continuando a caminhada, deparámo-nos com belos edifícios de traça antiga numa harmonia perfeita com a modernidade. É uma cidade concebida em esquadria, limpa e calma. A par da rede de transportes públicos, Perth oferece a todos os que a visitam 4 linhas de autocarro completamente gratuitas. São os CAT. Basta escolher a cor, Red, Blue, Green ou Yellow e circular pela cidade a custo zero. Ai Sydney, de que é que estás á espera?!      

Perth
Perth
Perth
Perth
Perth
Estátua de Percy Botton,
Homenagem ao melhor e mais famoso comediante de rua em Perth.

O pulmão de Perth chama-se Kings Park. Fica lá no alto e é uma das pérolas de desta cidade. É considerado um dos maiores parques citadinos do mundo. Alberga o Jardim Botânico e é um local de eleição das famílias para picniques, passeios e ocasiões especiais. É por excelência um local privilegiado para se ter uma panorâmica da cidade de Perth.   
Kings Park
Kings Park
Vista de Perth a partir do Kings Park
De volta ao centro da cidade, apanhámos o barco o fomos à outra banda. O lado sul de Perth segue a mesma linha harmoniosa. 

Skyline de Perth
Os Jardins de Sir James fazem as delicias de qualquer família. Para piquenicar, tomar uma banhoca no rio ou simplesmente "rien faire"... este é o sítio ideal.

De volta ao rio Swan foi tempo de navegar no WaterBank, um barco elétrico de traça antiga. A viagem fez-se com guia, que tocando o Didjeridoo (instrumento de sopro utilizado pelos aborígenes australianos), foi-nos apresentando a cidade a partir do rio. Até Claisebrook Cove foram 40 minutos em águas calmas e na companhia de golfinhos. O Capitão, esse também foi especial!

Aos comandos do WaterBank.
Chegada a Claisebrook Cove
Tempo houve ainda para visitar o The Royal Mint, o Museu de Ouro que nos enche o olhar. Lá dentro a maior moeda do mundo, as pepitas mais volumosas e uma demonstração ao vivo da fundição do ouro e transformação em barra. Também podíamos adquirir magnificas peças de joalharia mas ... já não tivemos tempo!!

No The Mint. Por momentos...fomos ricos!
A cidade de Perth estava vista. É uma cidade calma, com qualidade de vida e onde o processo de modernização não perturba o grande lema da cidade que é "Wait awhile", numa espécie de paródia às endiabradas Sydney e Melbourne.  


ROTTNEST ISLAND, o próximo destino. 

Rottnest Island
A apenas 19 quilómetros da costa de Perth, esta ilha é um local paradisíaco onde só se chega de barco. Os carros estão proibidos pelo que as únicas formas de deslocação dentro da ilha são a bicicleta ou longas caminhadas a pé pelos 11 quilómetros de extensão. "Rotto" como carinhosamente é apelidada pelos locais, é uma ilha de veraneio. 


Rottnest Island
Iniciámos a nossa exploração num tour de mini autocarro (único transporte permitido na ilha). Turismo a quanto obrigas! Durante 2 horas e com um guia local fomos descobrindo as singularidades da ilha e os seus maiores tesouros. A palete de cores do mar calmo salpicado por barcos de recreio, abraçado por rochedos vulcânicos e ladeado por um mato selvagem e rasteiro, encantam-nos. É maravilhosa esta paisagem. 

Rottnest Island
Rottnest Island
São 63 belas praias, 20 baías cristalinas, muitos recifes de corais e uma vida marinha abundante. Desde golfinhos a raias, tudo vive e convive harmoniosamente com os humanos.

Rottnest Island
Rottnest Island
Rottnest Island
Rottnest Island
Os Quokkas, são mini marsupiais que proliferam na ilha e são uma espécie que só existe na Austrália Ocidental. Habituados às pessoas, são dóceis e fofos. Este, deliciou-se com os mimos!


Mimos ao Quokka
Raia gigante
Ás 18 horas, o último barco de regresso ao continente. Deixámos para trás uma ilha adormecida, um local paradisíaco preservado pelo homem e dominado pela fauna local.


Rottnest Island
FREMANTLE seguiu-se, já em modo de pouco lazer e muitos compromissos com a nossa comunidade portuguesa. É uma cidade que dista 20 quilómetros de Perth, meia hora de comboio e 45 minutos de barco nos Cruzeiros Captain Cook. Esta foi a nossa opção e valeu bem a pena pois a paisagem das margens do rio Swan é deslumbrante. 


Travessia por barco Perth - Fremantle 
Fremantle foi a primeira colónia britânica estabelecida pelo oficial da marinha britânica Charles Fermantle, na margem do Rio Sawn em 1829. Elevada a cidade em 1929, tem hoje perto de 27.000 habitantes e tem o maior porto citadino da Austrália Ocidental. Portugueses são 1%. Not bad! 


Harbour - Homenagem aos pescadores. 

Apelidada de "Freo", Fremantle é uma cidade que cheira a pesca e a mar. Com 150 edifícios datados do século XIX, esta cidade conjuga na perfeição a modernidade actual com a história de outros tempos. Tempos esses que se escreveram também em Português! No Army Museu de Fremantle, vestígios e relatos comprovam a passagem de caravelas tugas por estes mares, muito antes de Cook, muito antes dos holandeses. O "Correio da Azia" andou por aqui, tal como atestam vários documentos expostos no museu. 


"Asian Mail Ship"
E para orgulho de toda a comunidade portuguesa, bem no centro do jardim Esplanade Reserve at Marine Terrace, o tributo ao grande navegador Vasco da Gama. Esta estátua foi erguida para comemoração dos 500 anos da viagem do nosso Vasco da Gama que ligou pela primeira vez a Europa à Índia. O molde da face do navegador, pesando 15 quilos, foi trazido de Portugal, literalmente debaixo do braço pelo Sr. Madeira, à época cônsul de Portugal em Fremantle. Este monumento visou também assinalar os 45 anos da chegada do primeiro português à Austrália Ocidental e toda a contribuição positiva do nosso povo para o desenvolvimento de Fermantle.

E hoje ergue-se altaneiro para que a história nunca seja esquecida e para que o mundo saiba que a inauguração da estrada marítima que ligou a Europa à Índia foi feito português e que também beneficiou a Austrália Ocidental. 

Monumento de comemoração dos 500 anos da viagem de Vasco da Gama
E já com um pé na partida para Sydney, ainda demos uma escapadela ao Nambung National Park a 2 horas de Fremantle para ver os Pinnacles. Assemelham-se a menires, são pilares de conchas sedimentadas ao longo de milhares de anos provando que em tempo idos havia mar ali. É uma extensão enorme de deserto amarelo, cravejado por torres de pedra, algumas com mais de 3 metros de altura. 

Deserto dos Pinnacles
Pinnacles
Pinnacles
E assim se passaram 10 dias num misto de férias e trabalho, numa "Western Australia" diferente, calma e promissora. "Wait awhile" (espera um bocadinho!) assenta na perfeição!

CSD 


terça-feira, 11 de abril de 2017

SYDNEY FISH MARKET

O Sydney Fish Market vem nos guias e mapas da cidade como sendo um ponto turístico e de obrigatória visita para quem passa ou fica. Uma lacuna nos meus já 8 meses de estadia por estas terras austrais! 

Sydney Fish Market
A manhã não convidava a grandes passeios. Convenhamos que o clima tem andado muito estranho por estas terras longínquas. Chuvadas, ventos intensos, ciclones, oscilações súbitas de temperatura têm sido uma constante ao longo destes últimos dois meses. Ora, perante isto, a inércia começa a bater palminhas e a manta a reclamar o seu espaço no sofá. Além do mais, o outono já picou o ponto!. Não, hoje e de máquina em punho, saí porta fora em busca do novo ponto de interesse. O trajecto foi curto e depressa cheguei à Blackwattle Bay, em Pyrmont. O cheiro a peixe aliado à gritaria das gaivotas reclamando os restinhos, fizeram-me crer estar no sítio certo. O espaço é grande mas a beleza deixa a desejar, como é apanágio de qualquer lota ou doca de pesca. Riachos a céu aberto, caixas de esferovite empilhadas aguardando o seu momento de glória e homens "aventaleiros" de mangueira na mão, é cenário pouco atractivo. No centro aglomeram-se automóveis num enorme parque de estacionamento e na periferia, um aglomerado de barracões que exigem uma visita individual. O peixe é rei, mas também há carne, vegetais e pão. Um mercado completo. 

E assim, eu vi-me subitamente acompanhada por dezenas de orientais chegados em excursões organizadas. Juntos fomos penetrando num oceano de criaturas aquáticas. 
A primeira reação foi; WOW! Para uma "méditerranée" como eu, foi um regalo para a vista. A paleta de cores era absolutamente extraordinária, a apresentação dos espécimes, metódica e estruturada. A frescura podia-se cheirar!   

Primeiro os peixes; uns mais familiares que outros. Muitos, apetecíveis numa boa grelha portuguesa!

Pescado fresco


Depois os mariscos, e que mariscos! Crus, cozidos, grandes, pequenos, conhecidos, estranhos, enfim, uma panóplia à escolha e para todas as bolsas. 

Panóplia de maricos
Panóplia de maricos
Panóplia de maricos

E os especiais!


Pepinos do mar a peso de ouro!


Ostras (sem pérola)!
E os nossos favoritos também lá estavam...

Metades de bacalhau!
Olha a sardinha fresquinha!

A par desta oferta existe o mercado da restauração. Ladeando com a venda dos produtos frescos, vitrines enormes expõem os produtos já confecionados, para delícia dos orientais. Caixinha a caixinha vão escolhendo as iguarias para repasto e no final, sai barão! Confesso que a mistura de cheiros e a apresentação me fez salivar! 



Produtos confeccionados

Para os amantes do afrodisíaco, pratos já feitos.



Degustação!
Mais à frente, as sobremesas!


Perfeito.

E eis o resultado da minha incursão pelo Sydney Fish Market.

Barramundi assado "à Je".
Assim se alegra uma manhã tristonha e se programa um jantar em beleza. Seguramente um local a revisitar, com a família, e de a carteira cheia!

CSD