terça-feira, 11 de outubro de 2016

Primeiro relato: casa de paredes brancas e alcatifa fofa!

Diário Ocasional!

Sim, é verdade, mudámos de casa, para aquela casa de paredes brancas e alcatifa fofa! Mesmo com os nossos pertences ainda algures num navio atracado no porto de Singapura, à espera de transbordo, à espera de consensos e bons sensos, tivemos de o fazer. Incomportável é manter duas rendas em qualquer lugar do mundo e nesta cidade em particular é impensável. Por isso, munidos daquela coragem que está nos genes destas criaturas itinerantes, fizemos as malas e abalámos.

Por sorte ou mera obra do destino a casa nova encontra-se a escassos metros da antiga. A mudança, apesar dos parcos haveres, foi feita em várias levas. O “pega daí que eu pego daqui” foi a melhor estratégia. Mas, de onde surgiram tantos volumes? Não sei! A minha leve suspeita há muito pedia confirmação, e sim, os objectos multiplicam-se, reproduzem-se, juntam-se desafiando a nossa capacidade estratega de arrumação. Sei que entrámos naquela casa, há dois meses, com 6 malas e 3 mochilas. Saímos quase com o dobro!! Como? Não sei. E já não sou novata nestas andanças!

Bom, mas a casa nova, apesar de ser “mignon” estava vazia e depressa se espalhou pela comunidade o nosso “azar”... Aproveitando a boa vontade de novos amigos, traçámos as prioridades. Colchões e respectivos têxteis encabeçaram a lista. E assim, agarrando a solidariedade da dona da antiga casa, se passearam dois colchões (um de casal e outro de solteiro), devidamente encaixados num chique “chariot” de hotel avenida abaixo até à nova residência. “vira para aqui, endireita, segura, espera” foi pilotagem e co-pilotagem portuguesa rua abaixo e “building” acima. Dormir, está! 
Segunda prioridade: alimentação. Aproveitando algumas campanhas promocionais comprámos um kit básico de cozinha que, juntamente com uns utensílios emprestados, deram alento à nossa existência. E um molho de cabides, porque ter roupeiros e roupa nas malas, não combina! Mas amigos que o são preocupam-se e a nossa Chanceler não desistiu ... “comer no chão, e tal, e coitadinho do menino que não tem onde fazer os trabalhos”... A nossa Elisabete convenceu o marido Sr António, num sábado madrugador, a transportar na sua carrinha a secretaria de estudo da filha já mulher, mais os sofás do gabinete do Consulado que já tinham ordem de marcha para o lixo, mais a TV que ninguém vê e 5 cadeiras. Ora, com os sofás encapotados e tudo posicionado, a casa parece outra! Temos onde dormir, sentar, comer, passar a ferro e estudar. E que bem que estamos!

Mas as saudades das minhas tralhas sinto-as no dia a dia, nas mais pequenas coisas, o que faz aguçar a minha/nossa capacidade imaginativa e o característico desenrascanço português. Já para não falar das saudades dos tremoços e do nosso queijo fresco! Os meses passam mas sei que a integração só ficará completa na nossa Casa Portuguesa.


CSD