segunda-feira, 29 de agosto de 2016

SYDNEY E OS MEUS OLHOS

De aborígenes a colonizadores, de condenados a emigrantes, os sydneysiders de hoje são uma mistura de raças e credos, de lutas empreendedoras e vitórias sofridas. James Cook, Arthur Phillip e Lachlan Macquarie são nomes cimeiros, propulsores do sucesso, visionários de um futuro que hoje nos encanta e apaixona. De 1770 aos dias de hoje, Sydney fez-se como que por magia, onde o nada deu lugar a tudo. Apetece ir, e foi o que fiz de melhor!


De máquina em punho, numa cidade fervilhante de sons e movimentos, fui procurando enquadramentos intemporais. O inverno primaveril empurra-nos para a rua e os passos conduzem-nos a recantos, a vistas, a pormenores maravilhosos e inspiradores. O moderno impõe-se altaneiro, mas as sombras dos arranha-céus abrilhantam ainda mais os símbolos seculares. Numa convivência serena, Sydney mostra-se em todo o seu esplendor.  A maresia acompanha-nos a cada passo, exalada do mar da Tasmânia que abraça um dos maiores portos naturais do mundo. A luz, essa luz tão característica da minha cidade, encontrei-a também aqui, vinda de um céu azul, daquele azul que eu também conheço. Ao vigésimo dia, aqui no outro lado do mundo, encontrei quase Lisboa. Numa nova cidade, encontrei a minha. 

Sydney Tower
Estátua de Arthur Phillip (1788-1792)
Royal botanic Gardens com Harbour Bridge
 Saint Mary's Cathedral
 Archibald's Fountain
General Lachlan Macquarie

Edifício público cuja frente revela estátuas de pessoas importantes para a cidade
Circular Quay Ferry Terminal
Fort Denison
Woolloomooloo Finger Wharf

E porque Sydney tem ainda mais encanto, aqui deixo algumas fotos tiradas ao crepúsculo,  do topo do hotel, a nossa casa provisória. 

ANZAC Memorial no Hyde Park
Sydney Tower
CBD à noite
Os livros revelam a história, os olhos transmitem o sentimento de quem vive a vida nesta cidade. Este é o meu olhar sobre Sydney.    

CSD

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

SYDNEY AT FIRST SIGHT


Sim, Sydney é isso mesmo: maravilhosa, luminosa, cosmopolita, informal, organizada e ... cativante. Talvez por tudo isto, seja duro cá chegar! A viagem de 23h50 minutos demora tempo e consome lucidez. Os aviões esforçam-se por nos distrair individualizando ecrãs, disponibilizando informação em tempo real, jogos e filmes ilimitados, internet durante duas horas num esforço supremo para que o tempo não demore a passar. Mas ... esqueçam lá isso! O corpo dorme quando não devia, almoça-se à hora de jantar, mata bichamos de madrugada, tudo face a um relógio com horas sem sentido. A cada milha, mais trocada fica a nossa existência. E a 45 minutos do fim da viajem, é o despoletar da ansiedade. Noite cerrada lá fora, parece que pairamos sempre no mesmo sítio, petrificados a -45º graus. O chão insiste em fugir. Até que, e finalmente, o tão esperado embate das rodas em solo Australiano! Despenteados, amarrotados, ensonados, alguns descalços, dizemos adeus aos companheiros de viagem e à equipa das giraças da Emirates, frescas como alfaces, que nos apoiaram nesta maratona. VIVA! Chegámos ao outro lado do mundo!


Hyde Park e CBD
Naquela manhã de quarta feira, Sydney era uma cidade a acordar, tal como nós. Apanhámos um táxi e fomos dormir, apesar de todas as vozes dizerem que não podemos, que não devemos, que temos de acertar agulhas! Pois é ... foi quarta, foi quinta, foi sexta até o nosso organismo perceber que o sol nasce e roda para o lado oposto, que o norte é que é bom e que as fechaduras e torneiras funcionam ao contrario!  Ao quinto dia já nos orientamos e a vida começa a parecer muito mais fácil. De mapa na mão, fomos desbravando caminhos num Sábado cheio de sol, numa cidade muito em esquadria. Os primeiros olhares procuraram os ex-libris habituais: a Ópera de Sydney e a Harbour Bridge. E confirma-se: são magnificos!

Ópera de Sydney
Harbour Bridge

O núcleo da baixa, CBD (Central Business District), é um aglomerado de escritórios em altura, onde centenas de pessoas se conectam com o mundo a partir deste continente isolado e distante. É aqui que nos familiarizamos com lojas, marcas, estilos conhecidos de uma Europa tão distante. São ruas chiques, para bolsas especificas. Mas o povo é predominantemente asiático, oriental, de olhinhos em bico. Foi o meu primeiro choque: nunca pensei que fossem tantos! São milhares como formigas, sempre de telemóvel em punho, cifose já acentuada, buscando contacto num mundo virtual, numa realidade muito própria, num tempo egoísta.  Com dedos ágeis, percorrem as notificações e caçam pokemons como ninguém! A febre também aqui se instalou e já roça a epidemia! Dominam o comércio e alguns serviços. E entende-los, só com ouvido de músico! Depois há os outros, os australianos, grandes, informais, com um sorriso na cara e um inglês preguiçoso onde a maior parte das palavras sofreu um corte, onde sons que se lêem não se pronunciam. E “mate” existe, como fim de muitas conversas.

Estamos no inverno e acreditem...também faz frio. Hoje e ao fim de 13 dias de estadia ensolarada, acordámos com um céu de caretas, 9 graus e uma chuva gelada. A amplitude térmica é uma constante e nunca “vestir como as cebolas” fez tanto sentido! As manhãs frias dão lugar a tardes soalheiras de 22 graus. Mas às 17h já o sol diz adeus, envolvendo-nos em noites escuras e novamente frescas. Frio ou quente, nada impede os australianos de fazerem o seu jogging. São viciados em desporto e todas as ocasiões são um bom motivo para se vir para a rua, conviver e apanhar sol.  Neste nosso primeiro fim de semana houve uma corrida “City 2 surf” que mobilizou perto de 40.000 participantes. Partiu daqui da nossa rua e o cenário era inacreditável: milhares à espera da partida e espalhados ao longo dos passeios, centenas de casacos deitados literalmente para o chão. Após a partida, uma equipa de “limpadores” recolherá todos os objectos do chão, que serão deixados na Junta para serem levantados posteriormente pelos donos! Outra noção de pertença!

E falando em pertença, a nossa acompanha-nos pelo mundo. Existem em Sydney duas cadeias de fast food que em tempos foram portuguesas: Oporto e OGalo. Hoje completamente dominados por asiáticos ainda ostentam com orgulho o “portuguese chicken” que infelizmente já nada se assemelha ao nosso churrasco. E nos wc’s de uma das maiores estações de comboio de Sydney, a Museum Station, lavabos “Valadares”! É uma sensação maravilhosa descobrir esta portugalidade.

A próxima epopeia: procura de casa definitiva. Com a mudança já a caminho, impõe-se encontrar um apartamento simpático e à altura da responsabilidade. O mercado de arrendamento é caro em Sydney, pois está muito inflacionado pela grande procura asiática. E o nosso orçamento é aquilo que se sabe: muito desactualizado! Aqui as imobiliárias trabalham de forma diferente. Anunciam na net uma “inspection” com dia e hora marcados. Comparece quem assim o entender. À entrada do edifício um cartaz e um funcionário que nos levará até ao andar em arrendamento. Vamos nós e mais 10 asiáticos! O apartamento estará aberto durante 15 minutos, tempo disponível para se analisar tudo e fazer algumas perguntas. Nós fazemo-las, mas  os asiáticos tiram 50 fotos e saiem porta fora! Quem estiver interessado, preenche a papelada e aguarda uma decisão. Pelo que temos visto até agora ... um simples apartamento de dois quartos vai exigir um grande esforço da nossa parte! Veremos o que se consegue.

Mas Sydney é um mundo e em cada rua um apontamento da história, um jardim onde se espojam grupos inteiros nos muitos dias soalheiros. E nas árvores cantares diferentes, gritos de espécies protegidas, pássaros e passarinhos e passarões nunca vistos, com cores soberbas e tão próximos de nós. É uma fauna singular que convive respeitosamente com os habitantes de Sydney.

Rainbow Lorikeet
Ibis Sagrado
Camélia 
Foram os primeiros dias e mais haverá para contar. Este será seguramente o primeiro de muitos textos sobre esta cidade encantadora e cosmopolita. O relato de passeios já feitos ficará para textos futuros. Acreditem...vale a pena cá vir.

CSD