sábado, 23 de julho de 2016

PELOS CAMINHOS DE PORTUGAL...EM JEITO DE DESPEDIDA.

Fazer campismo nunca foi o meu forte, mas com glamour é outra conversa! Decidimos por isso rumar ao centro interior e vivenciar uma experiência única. Num conceito diferente, em plena Serra da Gardunha tendo como paisagem principal a cidade do Fundão, foi criado o Eco Natura Glamping, situado em Alcongosta. Fomos recebidos numa tenda Domus, dotada de luxo ecológico, com privacidade assegurada e silêncio envolvente. De dia, a luz natural realça a beleza das Serras, de noite o Fundão, bem lá em baixo, ilumina-se como que desejando-nos as boas noites.  De cortinas abertas, com um céu estrelado, contemplamos as constelações que nos embalam para um sono reparador. A repetir seguramente.

Natura Glamping - Alcongosta
Muito fixe. Pudera!!!
Serra da Gardunha
Do interior da Domus para o mundo!
Conforto e qualidade
Rica vida!
No sossego!
Impunha-se continuar viagem desbravando um pouco deste Portugal profundo, ainda desconhecido do nosso rebento. Já em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, entre a Covilhã, Manteigas e a Guarda, existe uma praia, a praia fluvial de Valhelhas. A temperatura cá fora era alta impondo-se uma banhoca nas águas geladas do rio Zézere.

Praia Fluvial de Valhelhos
Banhoca refrescante
E seguindo viagem a caminho das Penhas Douradas em pleno coração do Parque Natural da Serra da Estrela, parámos na Lagoa do Vale do Rossim para almoço. Perante nós o maior vale glaciar da Europa a 1437 metros de altitude. É uma paisagem árida refrescada pontualmente por lagoas límpidas e muito convidativas ao passeio. Impossível não relaxar neste Portugal esquecido por muitos... e ainda bem!

Lagoa do Vale do Rossim

Lagoa do Vale do Rossim
Mais reconfortados, seguimos caminho, curva contra curva, numa velocidade adequada aos buracos-surpresa e estradas secundárias. Tão estreitas que   dois são demais! No desfiladeiro do rio Leandros, surge o Poço do Inferno, uma cascata cujas águas geladas caiem de 10 metros de altura. Difícil de acreditar neste Julho quente e seco! Mas seguramente um lugar singular a não perder. 
Poço do Inferno
Ainda por Manteigas, tempo para visitar o Centro Interpretativo do Vale Glaciar do Zêzere, onde um simulador recria uma viagem em dirigível/Balão ao longo do Vale Glaciar. Deslocamos-nos virtualmente e em 3D, entre presente e era glaciar, numa extensão de 13 quilómetros sobre o Vale, tentando compreender melhor o mistério da glaciação e criação do próprio Vale. Ainda nos é dado a descobrir a fauna e a flora da região, o presente e o passado de Manteigas e a história da actividade florestal, que assenta na conservada lareira dos tempos antigos. Interessante.

Novamente na estrada, ala serra acima!

Paisagem inóspita da Serra da Estrela
A imponência da pedra
E a meio caminho, no Covão do Boi, eis senão quando e como que por magia, a Senhora da Boa Estrela, padroeira dos pastores. Com mais de 7 metros de altura esta escultura em baixo relevo gravada na pedra saúda-nos e abençoa-nos para o caminho restante.
Senhora da Boa Estrela

Torre, a próxima etapa. Continuando no caminho sinuoso não pudemos deixar de imaginar o esforço dos valentes, que em pleno Agosto massacram as pernas numa volta a Portugal em bicicleta, sempre a subir, impiedosa e sem lugar para fracos. São as marcas na estrada que nos lembram tamanha façanha. Nós, em 4 rodas e com ar condicionado sempre ligado, somos príncipes nesta volta a Portugal!

Cume da Serra a 1.993 metros de altitude.
A chegada ao ponto mais alto da Serra.
A Torre que se eleva a 2.000 metros.
Depois da Serra, partimos para Braga. Por estradas civilizadas mas pagas a peso de ouro, fomo-nos aproximando do Santuário do Bom Jesus do Monte. O tempo era de almoço e na esplanada abençoada, regalámos-nos com três senhores gelados, como pedia o tempo quente. Tão bom!

Santuário Bom Jesus de Braga

Feitas as honras, partimos em direcção a Gaia e à Invicta. No Miradouro da Serra do Pilar em Vila Nova de Gaia, deliciámos-nos com a maravilhosa vista sobre a Cidade do Porto, um coração a pulsar cheio de turistas e animação. Bela cidade esta.
Paisagem da Cidade do Porto
Ponte D. Luís I
Mosteiro da Serra do Pilar (ao fundo)
Ponte D. Luís I
Já no lado do Porto, um belo passeio pela Ribeira e centro histórico desta Cidade Invicta.
Mercado Ferreira Borges
E para terminar em beleza, seguimos para a segunda cidade do meu coração: Lamego. 

Santuário Nº Sª Remédios (foto Afonso Domingues)
6 dias e 1.443 quilómetros pelos caminhos de Portugal. Recordámos locais já visitados, descobrimos outros e dissemos até breve à família, espalhada por este maravilhoso território. Vamos para longe, mas este cantinho único chamado Portugal ocupará sempre um lugar de destaque neste corações Tugas.  Por muito que vejamos, viajemos e gostemos, esta será sempre a nossa casa.

CSD