segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

PENROSE PARK, UM LUGAR DE FÉ

Shrine Of Our Lay Of Mercy
O primeiro domingo de Dezembro marca o encontro da fé. Fé portuguesa, essa fé que nos acompanha mundo fora, que nos dá alento e coragem para seguirmos caminho e nunca esquecer-mos Portugal. Todos os anos há festa para os lados de Berrima. Cedinho e pela fresca, juntámo-nos em Marrickville. O autocarro fretado encheu-se de peregrinos prontos para mais uma homenagem à Nª Sª de Fátima e para a festa dos 16 anos da Capelinha. E nós, juntámo-nos ao grupo pela primeira vez.

130 km separam Sydney de Berrima. A estrada é recta como a escrita de Deus e a paisagem campestre e monótona contrasta com uma Sydney cosmopolita e barulhenta. É um passeio que se faz bem e tão bem nos faz. Hora e meia depois, entre cantares e boa disposição, entrámos em Shrine of Our Lady of Mercy.

Shrine of Our Lady of Mercy
Foi o sonho do Frei Augustine Lazur em edificar um Santuário a Maria e propagar assim a fé cristã nestas terras longínquas que, em 1984, fez nascer o Santuário dedicado a Our Lady Of Mercy, representado por uma réplica do ícon de Our Lady of Jasna Góra, igualmente conhecida por Black Madonna. Habita actualmente o Mosteiro a Ordem de São Paulo - o Primeiro Eremita que em 1382 conseguiu a custodia da imagem milagrosa de Our Lady, Black Madonna, pintada pelo Evangelista St Luke.     

Quem passa ao largo não imagina o que se esconde por detrás do bosque australiano. 44 capelas construídas pelas mais variadas comunidades étnicas fazem daquele recanto um oásis espiritual. São mais de 30 países que com a sua devoção tornaram aquele espaço imenso num local único de fé, paz e reconciliação.

Capelinhas de vários países
Mais Capelinhas de outros paises
E a nossa Capela, obra da Comunidade Portuguesa e do Sr Manuel Tavares.

Capela de Nª Sª de Fátima, construída pela Comunidade Portuguesa
À nossa chegada, já os frangos assavam pulverizando o ar com aquele aroma de churrasco que só os tugas sabem fazer! A tenda albergava as mesas para o repasto e cá fora o reencontro daqueles que abraçam a mesma fé. Sem tempo a perder encaminhámo-nos para a igreja. A Missa celebrada pelo Padre Gabriel foi dedicada à nossa comunidade e o Andor de Nossa Senhora, maravilhosamente enfeitado, aguardava a procissão mais tarde.
Altar da Igreja Mãe
Depois da Missa seguiu-se o almoço bem servido, com gostinho português que fez as nossas delícias e a dos senhores Padres, que como todos sabem, perdem-se por um bom manjar! Frango de churrasco, leitão assado, camarão cozido, salada, pudim de ovos e tarte de amêndoa. Tão Bom! Convidadas também se fizeram as moscas, mas todos somos criaturas de Deus! 

Padres da Ordem de São Paulo - 1º Eremita
Ora merenda comida, música maestro! Assistimos à actuação de 3 grupos folclóricos: Grupo Folclórico Cultural Português, Rancho Grupo Folclórico da Madeira e Grupo Folclórico Assim é Portugal. A música foi da responsabilidade de Mr Tocafina. E que alegre foi esta tarde. Também houve umas palavrinhas...

Discurso à Comunidade do Cônsul Geral de Portugal
Grupo Folclórico Cultural Português
Rancho Grupo Folclórico da Madeira
Grupo Folclórico Assim é Portugal
Mas o programa impunha-se e a grande razão da festa não poderia ser esquecida. Juntou-se o povo e iniciámos a procissão atrás do Andor de Nª Sª de Fátima até à sua Capelinha. De Rosário na mão proclamámos a nossa fé num curto trajecto, num silêncio necessário e numa paz precisa. É comovente a devoção.

Capela de Nª Sª de Fátima
Procissão
Homenagem à Nª Sª de Fátima
Depois da benção e para descanso da alma e das pernas, uma boleia no carrinho de golfe, propriedade dos Padres.



Antes da partida tempo houve para irmos espreitar os cangurus. Sim, no mesmo carrinho de golfe e aproveitando a amabilidade do Sr Padre, lá fomos. E que perto estavam de nós! Estes são esquivos mas vimo-los como ainda não tinha sido possível: em grupo, em família e com os filhotes dentro e fora das bolsas. Também eles escolheram Penrose Park para viverem em paz. 
Cangurus de Penrose Park
Mas toda esta festa só é possível porque há portugueses que abraçam causas sem olharem a meios. O casal Tavares, D. Helena e Sr. Manuel são porventura o casal mais altruísta que até hoje conheci por estas paragens. Esta festa faz-se porque há quem ajude financeiramente com alimentos, flores etc. Há quem subsidie em nome desta causa, mas o trabalho de bastidores e de organização é deste casal maravilhoso. E preocupa-me não haver sucessores...
Sr. Cônsul e o Sr Manuel Tavares
Mais uns dedos de conversa e a promessa do regresso no próximo ano. Cansados mas gratos iniciámos a viagem de regresso a Sydney com vozes menos afinadas mas com o mesmo amor e devoção à Nª Sª de Fátima. 

Festa portuguesa

CSD

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Primeiro relato: casa de paredes brancas e alcatifa fofa!

Diário Ocasional!

Sim, é verdade, mudámos de casa, para aquela casa de paredes brancas e alcatifa fofa! Mesmo com os nossos pertences ainda algures num navio atracado no porto de Singapura, à espera de transbordo, à espera de consensos e bons sensos, tivemos de o fazer. Incomportável é manter duas rendas em qualquer lugar do mundo e nesta cidade em particular é impensável. Por isso, munidos daquela coragem que está nos genes destas criaturas itinerantes, fizemos as malas e abalámos.

Por sorte ou mera obra do destino a casa nova encontra-se a escassos metros da antiga. A mudança, apesar dos parcos haveres, foi feita em várias levas. O “pega daí que eu pego daqui” foi a melhor estratégia. Mas, de onde surgiram tantos volumes? Não sei! A minha leve suspeita há muito pedia confirmação, e sim, os objectos multiplicam-se, reproduzem-se, juntam-se desafiando a nossa capacidade estratega de arrumação. Sei que entrámos naquela casa, há dois meses, com 6 malas e 3 mochilas. Saímos quase com o dobro!! Como? Não sei. E já não sou novata nestas andanças!

Bom, mas a casa nova, apesar de ser “mignon” estava vazia e depressa se espalhou pela comunidade o nosso “azar”... Aproveitando a boa vontade de novos amigos, traçámos as prioridades. Colchões e respectivos têxteis encabeçaram a lista. E assim, agarrando a solidariedade da dona da antiga casa, se passearam dois colchões (um de casal e outro de solteiro), devidamente encaixados num chique “chariot” de hotel avenida abaixo até à nova residência. “vira para aqui, endireita, segura, espera” foi pilotagem e co-pilotagem portuguesa rua abaixo e “building” acima. Dormir, está! 
Segunda prioridade: alimentação. Aproveitando algumas campanhas promocionais comprámos um kit básico de cozinha que, juntamente com uns utensílios emprestados, deram alento à nossa existência. E um molho de cabides, porque ter roupeiros e roupa nas malas, não combina! Mas amigos que o são preocupam-se e a nossa Chanceler não desistiu ... “comer no chão, e tal, e coitadinho do menino que não tem onde fazer os trabalhos”... A nossa Elisabete convenceu o marido Sr António, num sábado madrugador, a transportar na sua carrinha a secretaria de estudo da filha já mulher, mais os sofás do gabinete do Consulado que já tinham ordem de marcha para o lixo, mais a TV que ninguém vê e 5 cadeiras. Ora, com os sofás encapotados e tudo posicionado, a casa parece outra! Temos onde dormir, sentar, comer, passar a ferro e estudar. E que bem que estamos!

Mas as saudades das minhas tralhas sinto-as no dia a dia, nas mais pequenas coisas, o que faz aguçar a minha/nossa capacidade imaginativa e o característico desenrascanço português. Já para não falar das saudades dos tremoços e do nosso queijo fresco! Os meses passam mas sei que a integração só ficará completa na nossa Casa Portuguesa.


CSD

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

SYDNEY E OS MEUS OLHOS

De aborígenes a colonizadores, de condenados a emigrantes, os sydneysiders de hoje são uma mistura de raças e credos, de lutas empreendedoras e vitórias sofridas. James Cook, Arthur Phillip e Lachlan Macquarie são nomes cimeiros, propulsores do sucesso, visionários de um futuro que hoje nos encanta e apaixona. De 1770 aos dias de hoje, Sydney fez-se como que por magia, onde o nada deu lugar a tudo. Apetece ir, e foi o que fiz de melhor!


De máquina em punho, numa cidade fervilhante de sons e movimentos, fui procurando enquadramentos intemporais. O inverno primaveril empurra-nos para a rua e os passos conduzem-nos a recantos, a vistas, a pormenores maravilhosos e inspiradores. O moderno impõe-se altaneiro, mas as sombras dos arranha-céus abrilhantam ainda mais os símbolos seculares. Numa convivência serena, Sydney mostra-se em todo o seu esplendor.  A maresia acompanha-nos a cada passo, exalada do mar da Tasmânia que abraça um dos maiores portos naturais do mundo. A luz, essa luz tão característica da minha cidade, encontrei-a também aqui, vinda de um céu azul, daquele azul que eu também conheço. Ao vigésimo dia, aqui no outro lado do mundo, encontrei quase Lisboa. Numa nova cidade, encontrei a minha. 

Sydney Tower
Estátua de Arthur Phillip (1788-1792)
Royal botanic Gardens com Harbour Bridge
 Saint Mary's Cathedral
 Archibald's Fountain
General Lachlan Macquarie

Edifício público cuja frente revela estátuas de pessoas importantes para a cidade
Circular Quay Ferry Terminal
Fort Denison
Woolloomooloo Finger Wharf

E porque Sydney tem ainda mais encanto, aqui deixo algumas fotos tiradas ao crepúsculo,  do topo do hotel, a nossa casa provisória. 

ANZAC Memorial no Hyde Park
Sydney Tower
CBD à noite
Os livros revelam a história, os olhos transmitem o sentimento de quem vive a vida nesta cidade. Este é o meu olhar sobre Sydney.    

CSD

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

SYDNEY AT FIRST SIGHT


Sim, Sydney é isso mesmo: maravilhosa, luminosa, cosmopolita, informal, organizada e ... cativante. Talvez por tudo isto, seja duro cá chegar! A viagem de 23h50 minutos demora tempo e consome lucidez. Os aviões esforçam-se por nos distrair individualizando ecrãs, disponibilizando informação em tempo real, jogos e filmes ilimitados, internet durante duas horas num esforço supremo para que o tempo não demore a passar. Mas ... esqueçam lá isso! O corpo dorme quando não devia, almoça-se à hora de jantar, mata bichamos de madrugada, tudo face a um relógio com horas sem sentido. A cada milha, mais trocada fica a nossa existência. E a 45 minutos do fim da viajem, é o despoletar da ansiedade. Noite cerrada lá fora, parece que pairamos sempre no mesmo sítio, petrificados a -45º graus. O chão insiste em fugir. Até que, e finalmente, o tão esperado embate das rodas em solo Australiano! Despenteados, amarrotados, ensonados, alguns descalços, dizemos adeus aos companheiros de viagem e à equipa das giraças da Emirates, frescas como alfaces, que nos apoiaram nesta maratona. VIVA! Chegámos ao outro lado do mundo!


Hyde Park e CBD
Naquela manhã de quarta feira, Sydney era uma cidade a acordar, tal como nós. Apanhámos um táxi e fomos dormir, apesar de todas as vozes dizerem que não podemos, que não devemos, que temos de acertar agulhas! Pois é ... foi quarta, foi quinta, foi sexta até o nosso organismo perceber que o sol nasce e roda para o lado oposto, que o norte é que é bom e que as fechaduras e torneiras funcionam ao contrario!  Ao quinto dia já nos orientamos e a vida começa a parecer muito mais fácil. De mapa na mão, fomos desbravando caminhos num Sábado cheio de sol, numa cidade muito em esquadria. Os primeiros olhares procuraram os ex-libris habituais: a Ópera de Sydney e a Harbour Bridge. E confirma-se: são magnificos!

Ópera de Sydney
Harbour Bridge

O núcleo da baixa, CBD (Central Business District), é um aglomerado de escritórios em altura, onde centenas de pessoas se conectam com o mundo a partir deste continente isolado e distante. É aqui que nos familiarizamos com lojas, marcas, estilos conhecidos de uma Europa tão distante. São ruas chiques, para bolsas especificas. Mas o povo é predominantemente asiático, oriental, de olhinhos em bico. Foi o meu primeiro choque: nunca pensei que fossem tantos! São milhares como formigas, sempre de telemóvel em punho, cifose já acentuada, buscando contacto num mundo virtual, numa realidade muito própria, num tempo egoísta.  Com dedos ágeis, percorrem as notificações e caçam pokemons como ninguém! A febre também aqui se instalou e já roça a epidemia! Dominam o comércio e alguns serviços. E entende-los, só com ouvido de músico! Depois há os outros, os australianos, grandes, informais, com um sorriso na cara e um inglês preguiçoso onde a maior parte das palavras sofreu um corte, onde sons que se lêem não se pronunciam. E “mate” existe, como fim de muitas conversas.

Estamos no inverno e acreditem...também faz frio. Hoje e ao fim de 13 dias de estadia ensolarada, acordámos com um céu de caretas, 9 graus e uma chuva gelada. A amplitude térmica é uma constante e nunca “vestir como as cebolas” fez tanto sentido! As manhãs frias dão lugar a tardes soalheiras de 22 graus. Mas às 17h já o sol diz adeus, envolvendo-nos em noites escuras e novamente frescas. Frio ou quente, nada impede os australianos de fazerem o seu jogging. São viciados em desporto e todas as ocasiões são um bom motivo para se vir para a rua, conviver e apanhar sol.  Neste nosso primeiro fim de semana houve uma corrida “City 2 surf” que mobilizou perto de 40.000 participantes. Partiu daqui da nossa rua e o cenário era inacreditável: milhares à espera da partida e espalhados ao longo dos passeios, centenas de casacos deitados literalmente para o chão. Após a partida, uma equipa de “limpadores” recolherá todos os objectos do chão, que serão deixados na Junta para serem levantados posteriormente pelos donos! Outra noção de pertença!

E falando em pertença, a nossa acompanha-nos pelo mundo. Existem em Sydney duas cadeias de fast food que em tempos foram portuguesas: Oporto e OGalo. Hoje completamente dominados por asiáticos ainda ostentam com orgulho o “portuguese chicken” que infelizmente já nada se assemelha ao nosso churrasco. E nos wc’s de uma das maiores estações de comboio de Sydney, a Museum Station, lavabos “Valadares”! É uma sensação maravilhosa descobrir esta portugalidade.

A próxima epopeia: procura de casa definitiva. Com a mudança já a caminho, impõe-se encontrar um apartamento simpático e à altura da responsabilidade. O mercado de arrendamento é caro em Sydney, pois está muito inflacionado pela grande procura asiática. E o nosso orçamento é aquilo que se sabe: muito desactualizado! Aqui as imobiliárias trabalham de forma diferente. Anunciam na net uma “inspection” com dia e hora marcados. Comparece quem assim o entender. À entrada do edifício um cartaz e um funcionário que nos levará até ao andar em arrendamento. Vamos nós e mais 10 asiáticos! O apartamento estará aberto durante 15 minutos, tempo disponível para se analisar tudo e fazer algumas perguntas. Nós fazemo-las, mas  os asiáticos tiram 50 fotos e saiem porta fora! Quem estiver interessado, preenche a papelada e aguarda uma decisão. Pelo que temos visto até agora ... um simples apartamento de dois quartos vai exigir um grande esforço da nossa parte! Veremos o que se consegue.

Mas Sydney é um mundo e em cada rua um apontamento da história, um jardim onde se espojam grupos inteiros nos muitos dias soalheiros. E nas árvores cantares diferentes, gritos de espécies protegidas, pássaros e passarinhos e passarões nunca vistos, com cores soberbas e tão próximos de nós. É uma fauna singular que convive respeitosamente com os habitantes de Sydney.

Rainbow Lorikeet
Ibis Sagrado
Camélia 
Foram os primeiros dias e mais haverá para contar. Este será seguramente o primeiro de muitos textos sobre esta cidade encantadora e cosmopolita. O relato de passeios já feitos ficará para textos futuros. Acreditem...vale a pena cá vir.

CSD

sábado, 23 de julho de 2016

PELOS CAMINHOS DE PORTUGAL...EM JEITO DE DESPEDIDA.

Fazer campismo nunca foi o meu forte, mas com glamour é outra conversa! Decidimos por isso rumar ao centro interior e vivenciar uma experiência única. Num conceito diferente, em plena Serra da Gardunha tendo como paisagem principal a cidade do Fundão, foi criado o Eco Natura Glamping, situado em Alcongosta. Fomos recebidos numa tenda Domus, dotada de luxo ecológico, com privacidade assegurada e silêncio envolvente. De dia, a luz natural realça a beleza das Serras, de noite o Fundão, bem lá em baixo, ilumina-se como que desejando-nos as boas noites.  De cortinas abertas, com um céu estrelado, contemplamos as constelações que nos embalam para um sono reparador. A repetir seguramente.

Natura Glamping - Alcongosta
Muito fixe. Pudera!!!
Serra da Gardunha
Do interior da Domus para o mundo!
Conforto e qualidade
Rica vida!
No sossego!
Impunha-se continuar viagem desbravando um pouco deste Portugal profundo, ainda desconhecido do nosso rebento. Já em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, entre a Covilhã, Manteigas e a Guarda, existe uma praia, a praia fluvial de Valhelhas. A temperatura cá fora era alta impondo-se uma banhoca nas águas geladas do rio Zézere.

Praia Fluvial de Valhelhos
Banhoca refrescante
E seguindo viagem a caminho das Penhas Douradas em pleno coração do Parque Natural da Serra da Estrela, parámos na Lagoa do Vale do Rossim para almoço. Perante nós o maior vale glaciar da Europa a 1437 metros de altitude. É uma paisagem árida refrescada pontualmente por lagoas límpidas e muito convidativas ao passeio. Impossível não relaxar neste Portugal esquecido por muitos... e ainda bem!

Lagoa do Vale do Rossim

Lagoa do Vale do Rossim
Mais reconfortados, seguimos caminho, curva contra curva, numa velocidade adequada aos buracos-surpresa e estradas secundárias. Tão estreitas que   dois são demais! No desfiladeiro do rio Leandros, surge o Poço do Inferno, uma cascata cujas águas geladas caiem de 10 metros de altura. Difícil de acreditar neste Julho quente e seco! Mas seguramente um lugar singular a não perder. 
Poço do Inferno
Ainda por Manteigas, tempo para visitar o Centro Interpretativo do Vale Glaciar do Zêzere, onde um simulador recria uma viagem em dirigível/Balão ao longo do Vale Glaciar. Deslocamos-nos virtualmente e em 3D, entre presente e era glaciar, numa extensão de 13 quilómetros sobre o Vale, tentando compreender melhor o mistério da glaciação e criação do próprio Vale. Ainda nos é dado a descobrir a fauna e a flora da região, o presente e o passado de Manteigas e a história da actividade florestal, que assenta na conservada lareira dos tempos antigos. Interessante.

Novamente na estrada, ala serra acima!

Paisagem inóspita da Serra da Estrela
A imponência da pedra
E a meio caminho, no Covão do Boi, eis senão quando e como que por magia, a Senhora da Boa Estrela, padroeira dos pastores. Com mais de 7 metros de altura esta escultura em baixo relevo gravada na pedra saúda-nos e abençoa-nos para o caminho restante.
Senhora da Boa Estrela

Torre, a próxima etapa. Continuando no caminho sinuoso não pudemos deixar de imaginar o esforço dos valentes, que em pleno Agosto massacram as pernas numa volta a Portugal em bicicleta, sempre a subir, impiedosa e sem lugar para fracos. São as marcas na estrada que nos lembram tamanha façanha. Nós, em 4 rodas e com ar condicionado sempre ligado, somos príncipes nesta volta a Portugal!

Cume da Serra a 1.993 metros de altitude.
A chegada ao ponto mais alto da Serra.
A Torre que se eleva a 2.000 metros.
Depois da Serra, partimos para Braga. Por estradas civilizadas mas pagas a peso de ouro, fomo-nos aproximando do Santuário do Bom Jesus do Monte. O tempo era de almoço e na esplanada abençoada, regalámos-nos com três senhores gelados, como pedia o tempo quente. Tão bom!

Santuário Bom Jesus de Braga

Feitas as honras, partimos em direcção a Gaia e à Invicta. No Miradouro da Serra do Pilar em Vila Nova de Gaia, deliciámos-nos com a maravilhosa vista sobre a Cidade do Porto, um coração a pulsar cheio de turistas e animação. Bela cidade esta.
Paisagem da Cidade do Porto
Ponte D. Luís I
Mosteiro da Serra do Pilar (ao fundo)
Ponte D. Luís I
Já no lado do Porto, um belo passeio pela Ribeira e centro histórico desta Cidade Invicta.
Mercado Ferreira Borges
E para terminar em beleza, seguimos para a segunda cidade do meu coração: Lamego. 

Santuário Nº Sª Remédios (foto Afonso Domingues)
6 dias e 1.443 quilómetros pelos caminhos de Portugal. Recordámos locais já visitados, descobrimos outros e dissemos até breve à família, espalhada por este maravilhoso território. Vamos para longe, mas este cantinho único chamado Portugal ocupará sempre um lugar de destaque neste corações Tugas.  Por muito que vejamos, viajemos e gostemos, esta será sempre a nossa casa.

CSD