segunda-feira, 25 de março de 2013

O BAÚ DAS RECORDAÇÕES

Novo workshop

As saudades fizeram-se sentir. O vício começou a dar mostras da sua força e movida pela curiosidade, fui neste domingo aprender mais alguns segredos da pasta de açúcar.

O desafio era grande: pintura vitral em pasta de açúcar. É coisa nova, e daí o grande risco de falhanço total. Mas sem tentar nada se consegue e às 9h lá comecei a desbravar os caminhos do manuseamento do saco de pasteleiro e da pintura. Manusear sacos só mesmo os do supermercado e a pintura, com canetas de feltro e pouco mais. Foram 8 horas de aprendizagem onde a decepção foi gradualmente dando lugar à obra conseguida.

Glacê real foi a primeira explicação. Porções, truques, pontos, e respectivos bicos. Quem pensar que é fácil desengane-se, pois a mão no momento da verdade treme e a perfeição fica bem longe do pretendido. O cérebro, que tudo comanda, acanha-se na altura precisa e a mão ganha vontade própria. Muito treino é a solução e respirar é importante!!

Depois seguiu-se a montagem da estrutura. Qual arquitecto, fomos edificando as fundações e  preparando os pilares de sustentação do que seria o nosso "cofre dos segredos" ou "baú das recordações".

As fundações de esferovite foram cobertas com pasta branca. Com calma e perícia conseguiu-se cobrir tudo de uma só vez mantendo longe os rasgões. Depois, fomos marcando os veios da madeira, definindo os nós e as primeiras pinceladas fizeram o resto. A brincadeira com as cores deu à madeira um toque mais real. 


Depois da cobertura do bolo, fizemos a marca da tampa com uma régua e passámos ao decalque das imagens pretendidas. Por cima da imagem escolhida foi colocado o papel vegetal. Com a mestria possível fomos passando o decalque com o glacê branco fluído. Depois, colocámos o papel vegetal na parte pretendida da caixa e com uma leve pressão, decalcámos o desenho. Confesso que o primeiro decalque ficou muito abstracto, mas teve o dom de me activar a criatividade.  

Seguiu-se a preparação das paletas das cores com os corantes em gel. O objectivo era uma pintura suave, com relevos e profundidades. Dito assim até parece fácil mas a realidade revelou-se diferente. De pincel na mão, foram as primeiras pinceladas dadas a medo. Mas a confiança foi crescendo e caixa começou a ter cor. Brincando com o pincel, fomos representando o vitral. Os jogos de cores suaves e escuras começaram a fazer sentido.  


Depois passámos à pintura das imagens decalcadas. As rosas foram-se enchendo de cor e as folhas de harmonia. Mais ou menos abstracto, foram as artistas dando largas à sua imaginação e criação. O decalque da tampa foi, depois de contornado com glacê preto, cheio com glaçê branco fluído. O relevo estava feito, havia que deixar secar. Os decalques laterais ganhavam vida unicamente com as cores. 


As linhas de glacê preto foram o grande desafio. Com os nervos a comandarem e a intuição à flor da pele, foram saindo as linhas trémulas do bico de pasteleiro. A gravidade tornou-se grande inimiga quando se trabalha na vertical. 


A borboleta em pastilhagem também nasceu, permitindo-nos ensaiar numa peça mais pequena.

Já no final, dedicámo-nos aos pormenores dos pés e pintura com spray, utilizando os moldes existentes. Tudo colado e eis que surge a nossa obra. 





Para primeira vez, não está mal!
São estes desafios que me estimulam e contribuem para o equilíbrio emocional. 


Mais um passo na realização pessoal e no sonho de ser artista. 


CSD