sexta-feira, 29 de junho de 2012

UM CHEIRINHO A ÁFRICA


Este ano lectivo foi um desafio. Após a chegada a um Portugal diferente, a escola foi uma parte da amalgama de adaptações impostas. Espaço grande, turmas cheias, ambiente selectivo quase a roçar no "snob", exigiu do filho e principalmente de nós, uma atenção e um acompanhamento contínuo. A realidade fez-nos perceber que a informalidade e descontracção moçambicanas tinham ficado lá! A aceitação de um recém chegado nestes meios fez-se devagar e com alguns momentos pouco solidários. Mas conseguiu-se. E depressa se chegou ao fim de um ano lectivo com passagem garantida para outro patamar de responsabilidades e exigências.

Como vem sendo habitual em fim de ano, este liceu já maduro brindou os seus alunos mais pequenos com uma "journée" diferente. Para alguns dos 27 colegas um "dejá vu", para outros a primeira vez e para nós (mãe e filho) um "souvenir" de outras paragens: Badoca Safari Park.


Após quase duas horas de viagem calma e descontraída num autocarro fretado e numa via em tudo diferente dos caminhos outrora por nós percorridos, entrámos num espaço de terra batida. Lembrou-nos de imediato as terras africanas, com um vento revolto e endiabrado, empoeirando-nos até ao tutano!


Grupo de flamingos rosa
Recepção feita, "goûter" tomado, deu-se início à exploração do território. Uma curta caminhada pelo interior dos campos de sobreiros e eucaliptos, por pontes de madeira e borrifos de água, levou-nos a um conjunto de atrelados que puxados por um tractor, nos iniciou no percurso do safari. 








Várias foram as paragens e respectivas explicações num discurso simples e arranjado para os mais pequeno. A proximidade com os animais ditos selvagens foi uma constante e a possibilidade de contacto físico, uma surpresa. A mão humana deu os seus frutos! Devagar devagarinho fomos percorrendo um parque onde a vegetação savanesca outrora nossa conhecida, deu lugar a sobreiros e giestas, ou não estivéssemos no Alentejo!


Impala
Zebras
Zebras, avestruzes, búfalos, impalas, cabras, girafas, dromedários, todos expostos num mesmo espaço convivendo em harmonia e dando o exemplo à raça dita mais inteligente. 










Um pouco mais á frente e isolado dos demais, o espaço dos tigres. Espécie protegida, estes felinos são sempre uma admiração. Roncando para nos saudar, garantiram-nos que a mão humana nestes jamais terá influência.










Dromedários


Seguiu-se, já fora do comboio, uma explicação sobre aquele personagem caricato e adorável: o rei Julian. Aprendemos que estes lémures, traquinas e espertos são fiéis na relação conjugal e solidários na defesa do território e da raça. Outra lição importante para o ser humano.
Ilha de lémures
Tempo de almoço. Das suas mochilas saíram os mais diversos manjares, que apesar de apetitosos, foram comidos à pressa, pois a brincadeira é o alimento preferido.




Depois do show de aves de rapina, onde os voos rasantes de águias, mochos e abutres quase nos intimidaram, seguiu-se outro momento de brincadeira nos vários espaços  infantis criados para promover a imaginação das crianças.  
Abutre de cabeça vermelha
Foram grandes as conquistas e vitórias destes pequenos grandes sonhadores.
















Mais à frente, mas menos interessante para este grupo de alunos, ficava a quintinha. Cavalos, potros, burros, galinhas, cabras e bodes repousavam agradecendo a acalmia da tarde. 


E falhou a ilha dos grandes primatas, que dará o mote para uma próxima visita.

O momento da partida chegou ao bater das 15:30h. Mais cansados mas não menos satisfeitos, estes aventureiros acomudaram-se nos seus assentos, delimitando no interior do autocarro uma linha imaginária entre machos e fêmeas. Mudarão de opinião, mais cedo do que se possa esperar!
    


Obrigado ao Liceu Francês por este passeio de confraternização entre os pais disponíveis, a professora e os seus próprios filhos num ambiente original, genuíno e temático.


CSD 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

30 ANOS DE PERSISTÊNCIA


Parabéns à AFDP
Somos a viga que suporta a família, somos a voz calada, somos a face menos vista desta carreira. Somos nós que organizamos, escolhemos, definimos, orientamos, construímos o sucesso dos nossos. Somos o apoio incondicional da família, somos muitas vezes a voz conselheira dos maridos, somos os braços abertos dos filhos, somos a face do sorriso nacional. Mas trabalhamos nos bastidores e lá, não há ribalta. Foi contra isto que as pioneiras lutaram. A valorização pessoal da mulher do diplomata tinha de ser reconhecida bem como a promoção dos interesses das famílias dos diplomatas portugueses. Há mérito em tudo o que fazemos e principalmente, temos direitos.

Foi a persistência, a vontade de reconhecimento, o acreditar no sonho que nos fez nascer.   
Hoje comemoramos os 30 anos desta Associação que nos deu voz. Nascida a 30 de Junho de 1982, teve uma infância dura, uma adolescência trabalhosa e hoje, no estado adulto continua a lutar em prol da dignidade. Muito foi conseguido, é certo, mas a sociedade não nos dá descanso e obriga-nos a querer mais e a fazer melhor. 

Somos hoje um organismo apolítico, com fins sociais e culturais. Muitas das nossas iniciativas são publicamente reconhecidas e orgulhamo-nos dos objectivos conseguidos. Desenvolvemos a vertente solidária através do Bazar Internacional do Corpo Diplomático, promovemos o conhecimento de Portugal através de visitas culturais e participamos em reuniões internacionais como a EUFASA.  

Por tudo isto estamos de parabéns e a festa foi um sucesso. Juntámos as pioneiras, as gerações mais maduras e a nova geração, partilhámos histórias, trocámos ideias, ouvimos ensinamentos. Homenageámos quem deu tudo por esta casa e despedimo-nos de algumas que saem para posto. Mas o mais importante: assegurámos a continuidade. 

Juntas, continuaremos a fazer a nossa história e a de Portugal.

Mesa posta para a festa






Nova geração
Boa sorte e boa viagem.
CSD

domingo, 10 de junho de 2012

MAIS MODELAGEM

Ora, que belo dia, o de Portugal, para ir aprender mais uns segredos sobre a modelagem de bonecos. Confesso que desta feita não foi nada fácil. Os pormenores são uma constante e as mãos e pés, uma verdadeira dor de cabeça. Definir o pé, não esquecer o tornozelo, tornear a barriga da perna e finalmente fazer o joelho. 

Perna grossa!!
Saia de folhareco
Lábios sensuais!
Jardineiras em manutenção

As caras da expressão
O punk!
Os óculos da avó
O resultado final 
As várias expressões
O Punk e a chorona!
As criações
E pronto, aqui ficam as criações mais ou menos conseguidas. Certo é que ainda muito falta para a perfeição das mãos e pés da formadora!! Mas nada que a paciência e a teimosia não consigam realizar.

CSD

domingo, 3 de junho de 2012

O SPA TURCO



Fomos à bola.
Estádio cheio

Os campeonatos internacionais têm destas coisas: acendem a chama patriótica, nacionalista, tuga. Equipados a rigor, motivados pelas mensagens nos meios de comunicação, saímos porta fora rumo à festa da bola.
O Nosso Onze Titular
São Pedro não estava pelos ajustes e da janela caseira o nevoeiro e a chuva desmotivavam até os mais entusiastas. Mas nós, tugas verdadeiros e fieis destemidos, envergámos os impermeáveis e abrimos caminho rumo ao Estádio da Luz. A festa já se tinha iniciado e entre os gritos de incentivo do João Baião e os sorrisos da Tânia, voavam cachecóis nacionais arremessados plateia dentro. Os artistas sucediam-se e o recinto exterior foi-se enchendo pacificamente. As cores eram as nossas e com bandeiras pintadas na face ou cabelos tricolores, o povo foi-se divertindo e aproveitando as pechinchas oferecidas. A crise não morava ali e as filas eram muitas para se obter as dádivas dos patrocinadores (BES e SAGRES). Entre pipocas e bigodes voadores, entre remates à baliza e carroceis, entre jogos de roleta e ofertas de bandeiras, entre bolas de sabão e saltimbancos, fomos deambulando recinto dentro até perto da hora de entrada. 

Pintura de cabelos
Pintura de rosto do filho
Pintura de rosto do pai
Resultado final
As nossas cores
Pronta para a festa
Ao lado das pipocas
Rematando....GOLOOOOOOOOO!
Carrossel
Bolas de sabão
Este estádio tanta vezes invadido pelos da águia ao peito, abriu nessa tarde as suas portas para receber toda uma multidão clubista, uma cambada de aficcionados, uma molhada de adeptos e doentes da bola. As famílias eram muitas e a minha lá estava, para testemunhar a festa. Até o sol finalmente apareceu para nos saudar. Os meus leões e eu, dragona assumida, acomudámo-nos o melhor possível nas cadeiras vermelhas e aguardá-mos o início. Os cânticos não se fizeram esperar e todos cantámos o hino nacional. A festa tinha tudo para começar. 


Já dentro do estádio
O "V" que não aconteceu!
E começou a festa, mas não da melhor maneira. 
Formatura das equipas
Cedo se percebeu que os nossos não estavam inspirados  e que os outros também sabiam da poda! A bola passou por lá, algumas vezes, mas não quis entrar. Entre passes falhados, cedências não aproveitadas e desentendimentos constantes, fomos perdendo as oportunidades de marcar. Ao bailarico tuga faltou o "glamour" e a eficácia. É certo que era a feijões, mas o povo quer vitórias e gritou sem parar até que se calou. O primeiro banho dos turcos já lá estava! 


Desorganizados, sem discernimento, os nossos atletas iam-se arrastando pelo campo. Mas os turcos continuavam a massajar e a esfoliar sem receios!  E nós, lá no alto, fazíamos a onda da motivação, as palmas de incentivo e os gritos de apoio. 


A claque genuína
"Respeito" lia-se nas bancadas, mas os assobios começaram a aparecer. Finalmente o apito impos-se e nós iniciámos o nosso jantar. Aproveitando as tréguas, entre trincadelas na cenoura e mordidelas na sandes de atum, fomos dançando ao som da música convictos de uma melhor segunda parte.    

O apito voltou a soar e nós calamo-nos novamente. O segundo banho turco já lá estava! "Mas o que é isto?!" ouvia-se nas bancadas.  Foram feitas substituições, mas a desorientação não deixou fazer melhor. 


Substituição
Mais uma tentativa
O golo do Nani ainda deu alento, mas depois o auto golo, arrasou com o resto da esperança. O povo começou a abandonar as bancadas com o desalento estampado na cara e todos assobiavam em conjunto. Até houve quem apoiasse a Turquia!!!


A desmotivação era grande, dentro e fora do relvado. Até ele, aquele que resolve, não foi capaz de se impor. Parabéns ao carrasco turco! E quando se falham pénaltis, pouco há a esperar. 
Pénalti falhado pelo o homem da esperança.
No final, o hino cantado para surpresa e motivação da selecção atenuou um pouco a massa associativa, mas o SPA turco estava tomado! Foi mesmo uma banhada!!


Apoio incondicional
Os votos daqueles que ordeiramente desciam as escadas do estádio e se encurralavam no túnel da Luz, ainda eram de esperança. "Que as falhas de hoje sejam sucessos amanhã". A ver vamos, mas teremos de mudar! 

No final a equipa vitoriosa foi sem dúvida a massa associativa, que enfrentou neste dia 02 Junho nevoeiro, chuva, filas enormes, que não desmotivou ao primeiro, que conseguiu cantar ao segundo e só se calou ao terceiro. Mesmo após o apito final, cantou com o coração o nosso hino e acreditou que vai ser diferente, lá onde os Czares fizeram história.


A festa foi boa.
Todos ganhámos com esta experiência.
E este será seguramente o primeiro dos meus relatos, pois o EUROPEU vai dar que falar. 

BOA SORTE PORTUGAL!

CSD