segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

INGRATA VIDA

Que vida é esta que nos tolhe no seu final? 
Que existência é a nossa que se vai gastando ao longo do tempo? 
Que fim é este que nos reduz e apaga da nossa memória, a vivência?

Os meus olhos viram a ingratidão do destino e a degradação de alguém que se estima. "Retrospectivamos" involuntariamente. A nossa mente, como que impulsionada por piedade, vai buscar imagens passadas que este ser desconhece neste presente. Desejamos recordar e dar sentido àquela existência. E sendo esta uma criatura sempre presente na minha vida, forcei-me a reviver os momentos passados em conjunto. No Jardim do Principe Real as pombas já nos esperavam. E eu, nos meus passos ainda trémulos, exultava felicidade. E ela, minha madrinha de baptismo, lançava as migalhas de pão guardadas com amor para me ver feliz. E os piqueniques vividos? E as almoçaradas gostosas? E os passeios à beira mar rejuvenescedores? E as festas em casa própria? A minha consciência realista garantiu-me que nada disto voltará. Jamais.

Hoje, encaro um ser acamado, vivendo num tempo próprio, sem noção de presente ou passado. Olha-me sem me conhecer, fala-me sem saber quem sou, beija-me sem o calor de outrora. O seu vazio mental oprime-me, desconcerta-me. Hoje, só ela sabe em que tempo vive. Só ela sabe quem somos nós. Só ela  se conhece. O seu cérebro ainda vai enviando a medo mensagens que a boca transmite, sem nexo, sem contexto, revelando um mundo à parte. A doença manda naquele ser, e ordenou o vazio.

Mas quanto tempo passamos nós a arquivar recordações? Quantos momentos deliciosos nasceram dos  testemunhos passados? Porquê esta doença insiste em ceifar o cérebro dos momentos de vida cheia, quando neste momento esta se tornou vazia? Se recordar é viver, porquê o fim sem recordações? 

No mínimo, esta nossa vida é INGRATA e EGOÍSTA!

CSD

sábado, 14 de janeiro de 2012

AS MINHAS MÃOS DE ARTISTA


CRIANDO ARTE PARA COMER

Seguindo a onda de loucura que envolve hoje em dia a decoração de bolos, também eu fui experimentar. 

Finalmente integrada em Portugal e tendo vislumbrado já a dita arte em terras de Moçambique, tomei coragem e lá me inscrevi numa das escolas mestras nestas artes da criação de maravilhas comestíveis. Confesso que a motivação era genuína, mas o medo do fracasso e a consciência da pouca vocação na criação de um bolo apelativo, era algo que me fazia recear.

Num sábado, deixando a família entregue a ela própria e destinando tempo para mim, percorri os poucos quilómetros que me separavam da escola, lá para os lados de Benfica. As alunas foram chegando aos poucos e reunidas as condições, foi dada a ordem de ingresso no espaço onde a arte iria ter lugar. À nossa espera um arsenal de magia. O bolo em bruto ressaltava no meio da nossa área de trabalho e ladeava com instrumentos que eu nunca tinha visualizado! Certo é que o bolo em exposição e réplica daqueles que supostamente sairiam das nossas mãos ao fim das quatro horas, era lindo...

Bom, começada a explicação metemos a mão no bolo e aprendemos como utilizar os instrumentos, cortar direitinho, rechear e barrar de modo a prepará-lo para a colocação da cobertura. Com algum esforço, trabalhou-se a capa. Confesso que esperava que a massa fosse bem mais fácil de modelar, mas nada que esticadelas direitas e esquerdas não resolvessem. Cobertura colocada, passámos à criação do boneco decorativo que neste caso, foi o elefante. 

Bolo já com cobertura e ares de elefante.
Apreendidas as regras básicas para a criação de um boneco, comecei a ver jeitos de elefante. A criatividade despontava a cada amassadela, e com os truques da mestra, foi canja!!

Tromba em preparação.
Já se nota!
Depois, foi o embelezar da cobertura. Com os instrumentos e maquinaria que existem hoje em dia, é muito fácil fazer maravilhas. Basta ter imaginação, tempo e gosto.

O meu ficou assim.

O Sr. Elefante
O Sr. Bolo.
Todas juntas expusemos as nossas obras para a fotografia da posteridade. Atendendo a que tudo isto se come..... é bom que se registe previamente o que as nossas mão conseguiram realizar. E houve bolos para todos os gostos.


Chegada a casa, apresentei a minha obra. A família ainda duvidou que realmente as minhas mãos o tivessem feito sem ajuda, mas foi realmente isso que aconteceu. E para mostrar que era mesmo possível, decidi fazer um urso. Utilizando um resto de uma só cor, ficou assim.


E com diploma na mão, preparo-me para qualquer dia frequentar o segundo nível e quem sabe alguns mais avançados. Esta descoberta não só aguça o nosso espírito criativo, nos relaxa, como também nos faz sentir criadoras das nossas coisas e sonhos. 

Depois, é preciso ter coragem para dar o primeiro golpe!!

CSD


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

QUEM DIRIA!



10.000 visitantes!

As palavras valem o que valem e cabe a quem as lê tirar as suas conclusões, opiniões, ideias.
Em quase dois anos, aquelas linhas escritas nos momentos mais calmos da minha vida chegaram a 58 países e 10.000 curiosos. Diferentes, longínquos, os povos leram ou viram as imagens que decidi expor de mim, da minha família, dos locais por onde passei, das vivências que vivi.

É bom escrever para os outros e sentir que sou lida.

Agradeço a dedicação e prometo continuar.

Obrigada

CSD