domingo, 15 de maio de 2011

AS PRAIAS DE INHAMBANE


Dhow na Baía de Inhambane
Ainda com alguns dias de férias e Maputo sobejamente conhecida e explorada, pensámos numa escapadela rápida à Província de Inhambane, um destino ainda desconhecido para nós.

Decisão tomada na véspera, malas feitas em tempo recorde e partida no dia seguinte aproveitando os primeiros raios de sol. Sem nada marcado, partimos à aventura de uma das províncias mais famosas de Moçambique. A viagem é, toda ela, feita por estrada alcatroada com os novos troços a proporcionar uma boa incursão por este Moçambique profundo. Província de Maputo, província de Gaza e finalmente província de Inhambane.  Feitos quinhentos quilómetros e seis horas depois, chegávamos lá.

Estrada Nacional 1.
A cidade de Inhambane é uma agradável surpresa. Organizada, limpa, a cidade transpira ainda a alma portuguesa. As vivendas do nosso tempo estão em todas as alamedas. Bem conservadas e pintadas fazem dos bairros um local apetecível para se viver. E assim devem ter sido os dias dos portugueses desse tempo. Esta foi uma primeira ideia de Inhambane. A exploração da cidade ficaria para o nosso regresso.

O destino era a Barra. Mais vinte quilómetros de estrada pouco alcatroada e oito de terra batida conduziram-nos ao Barra Lodge.

Estrada de picada

Barra Lodge
O espaço envolvente é agradável mas as "casitas", embora asseadas são pouco acolhedoras. Construídas respeitando a envolvente (o que me parece muito bem), utilizam as canas como paredes e o colmo para os telhados. Já com os dias mais curtos e mais frescos, as "casitas" tornam-se frias e demasiado arejadas. As constantes correntes de ar vindas do tecto e das frinchas dos molhinhos de canas que constituem as paredes, não são agradáveis em Maio! Já para não falar dos mosquitos que encontram ali um local soberbo para se deliciarem. As redes mosquiteiras existem, mas a caça à melga tem de ser feita!

"Casita" 26
Quarto do Barra Lodge
Piscina do Barra Lodge
Outro aspecto para mim menos conseguido é a proximidade exagerada das "casitas", que sem qualquer tipo de isolamento, não permitem privacidade. Tudo é escutado vindo das "casitas" vizinhas.

"Casitas" em banda do Barra Lodge
Mas a tarde estava ainda no seu início e por isso decidimos observar a praia, mesmo em frente ao lodge. Confesso que esperava algo mais esplendoroso. Fez-me lembrar a nossa praia dos Salgados em Albufeira! Mas é sem margem para dúvidas uma bela praia de areia branca a perder de vista e um mar morno, vivo e belo.
Praia da Barra
Mar revolto até para os mais crescidos!
Vista praia do Barra Lodge
O jantar foi bem servido e acompanhado por um conjunto chamado "Grupo Barra 12" constituído em 2002 e composto por doze elementos divididos entre músicos e crianças dançarinas.  

Grupo Barra 12
O dia seguinte amanheceu com o mesmo céu azul e brilhante. Check out feito, partimos à descoberta de outro lodge, desta feita bem mais famoso; o "Flamingo Bay". Que as crianças com menos de 12 anos não podiam pernoitar, já o sabíamos. O que para nós foi uma surpresa é que nem sequer podem entrar no espaço para o visitar!! Alegam falta de segurança para os menores! Mas se tivéssemos comprado ingressos para uma das muitas actividades que nos disponibilizaram, como cruzeiros ao por do sol, passeios a cavalo ou ainda cruzeiros em catamaran de meio dia à Ilha Pansy Shell, já seria permitida a entrada da criança. Então, e a segurança? Não gostei! Mas como seria uma oportunidade única para visitar o espaço, o pai entrou e eu fiquei com o filho, à porta!
Flamingo Bay com maré baixa
Espaço central do Flamingo Bay
Outras praias reclamavam a nossa visita e pusemo-nos à estrada. Praia do Tofo foi o destino seguinte. Após 2 quilómetros de estrada em picada começámos a avistar o mar. O mesmo mar sem fim, puxado, a bater num areal imenso e vazio, coberto por alforrecas. A manhã estava convidativa e foi passada à beira mar.
Praia do Tofo vista da "Baía Sonâmbula"
Praia do Tofo
Praia do Tofo
A hora do almoço aproximou-se e consultando o guia fomos à procura do Dino's Bar. Comemos bem e tivemos por companhia a mesma praia imensa e vazia.

Com o sol ainda forte, e fazendo horas para aproveitar mais uma tarde de praia, fomos procurar local para pernoitar na Baía do Tofo. A Baia Sonâmbula, local de referência estava lotada. A Casa Barry não agradou. Percorrendo as picadas, descobrimos o Albatroz. Modesto, mesmo muito modesto, este espaço está feito para os sul africanos, pouco exigentes e em regime de self catering. A sua escadaria de acesso directo à praia é uma vantagem. Deu para passar a noite e ver a grande vitória do Braga sobre o Benfica. O restaurante deste complexo tem fama de ser o melhor do Tofo. Jantámos bem.

Albatroz Lodge
Albatroz Lodge
Mais um amanhecer e nova partida. Tofinho era o destino seguinte já com Inhambane no horizonte. A praia é uma amostra da praia do Tofo. Mínima e cheia de rocha preta, surpreende pela diferença.

Praia do Tofinho
Estrada fora voltámos a Inhambane. A Casa do Capitão é um local muito bonito. Novo, bem organizado e bem integrado na paisagem, este espaço é um oásis para os europeus; estar em África, sentir África mas com as condições da Europa!

Casa do Capitão - Comodore
Casa do Capitão
Casa do Capitão - Zona de lazer
Casa do Capitão - Piscina
Após almoço no Verdinho's Gastro Bar, decidimos explorar Inhambane. A cidade como já tínhamos testemunhado é bem organizada, limpa e as suas gentes acolhedoras. Munidos do guia fomos à procura dos monumentos e da história de Inhambane. Aqui senti a punhalada no meu orgulho patriótico. Fomos encontrar a estátua de Vasco da Gama, aquele grande e nosso herói, num beco transformado em sucata e ferro velho, que se situa por de trás da Procuradoria da República! Como é possível tratarem a história assim?
Estátua de Vasco da Gama
Mais à frente descobrimos o pedestal vazio. Era aqui que estava. Foi daqui que o tiraram. Virado para o mar que o trouxe e para Maxixe, do outro lado da Baía. Depois procurámos a Praça dos Heróis. Um largo ajardinado mas cuja falta de informação faz aumentar a ignorância do povo. Escondido num jardim privado, votado ao abandono uma placa que assinala a partida dos escravos para as Ilhas Maurícias. Outro monumento mal tratado.

Monumento aos Heróis
Marca que assinala a partida dos escravos.
É certo que a nossa história tem momentos menos louváveis, mas é essa mesma história que um dia ergueu Inhambane.
Casa do tempo colonial 
Igreja Nª Sª da Conceição (velha)
Vista do pontão. Igreja nova
O fim de tarde foi passado na Casa do Capitão entre a piscina de água salgada e a maré vazia. O jantar bufett no Comodore foi acompanhado por um grupo de nome "Toulino". Tive oportunidade de degustar Cacana, Mathapa, Xima, Caril de Camarão e Fiosse (perdoem-me se não se escrever assim!). Tudo coisas moçambicanas e boas!

Casa do Capitão - Por do sol
O dia do regresso chegou. Inhambane estava vista e as praias sentidas. Estrada fora voltámos a percorrer os belos quilómetros de palmeirais, savanas e aldeias em direcção a Maputo. Em Xai Xai decidimos almoçar. À procura da praia fomos picada dentro almoçar no "Chongoene Holiday Resort". Nome pomposo em demasia para o espaço que é!

Praia de Xai - Xai
Mas se um conselho me é permitido: Quem quiser conhecer este imenso Moçambique comece pelo Maputo e acabe no Rovuma, ou seja de sul para norte. Este é o sentido certo para a descoberta. O caminho inverso faz com que depois de se estar no fabuloso, seja difícil achar graça ao belo!

CSD

1 comentário:

  1. Só lamento a distância enorme que me separa dessas belas prais...
    Recebe um forte abraço.

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