sexta-feira, 11 de agosto de 2017

CAIRNS



Esplanade Lagoon


A 2500 quilómetros de Sydney, para norte deste vasto continente australiano, fica Cairns. Esta cidade provinciana é hoje popular destino turístico e nasceu como interposto de apoio aos mineiros que faziam a travessia em direcção ao rio Hodgkinson, em busca do "El dourado". Mas Port Douglas revelou-se mais conveniente e Cairns estagnou no tempo. Hoje, esta cidade é porto importante para exportação de cana de açúcar e acomodação de de milhões de turistas, que anualmente querem visitar as principais atracções. Bem situada é a base perfeita para quem se quer aventurar na Grande Barreira de Corais, na Daintree Rainforest, na Atherton Tablelands, em Kuranda, em Cape Tribulation e em Port Douglas.


Homenagem ao soldado




Com poucos pontos históricos, Cairns vê-se depressa. A marginal "Esplanade" é um passeio bonito e um bom cartão de visita. Alguns monumentos salpicam o caminho e lentamente, tendo como moldura o mar, desembocamos na marina onde tudo acontece. É de lá que todos os dias os vários operadores turísticas transportam os exploradores para aventuras de sonho. Um frenezim de turistas, num vai e vem de catamarans. 

Esplanade
Infelizmente Cairns não é famosa pelas suas praias, o que para nós foi uma surpresa. A maré cheia esconde um solo lamacento, um lodo pouco atractivo que desponta nas tardes, com maré vazia. Feio! Ganha a passarada que se consola com os petiscos escondidos. 

Para compensar a falta de uma boa praia, um mergulho na Esplanade Lagoon, uma piscina pública que consola quem por lá passa. A alternativa é ir norte acima em busca de praias como Palm Cove e Four-Mile Beach. Ou para os mais aventureiros, Green Island e Fitzroy Island.  

Marlin Marina

Muito verde, ou não fosse esta uma cidade de clima tropical, Cairns tem como lema, "Gorgeous in one day and beautiful in the others". E confirma-se! Foram 6 dias de luz e calor. No último dia choveu, para não deixar saudades!

Na esplanada do Cairns Zoom & Wildlife

E o momento alto deste dia foi, obviamente o miminho ao Koala Micro, um macho de 6 quilos que fez as nossas delícias. Queensland é o único estado australiano que permite o interagir directo com os Koalas. Enquanto nos outros estados só é possível fotografar ao lado da estrela, aqui podemos pegar e fazer festas. Tínhamos que marcar esse ponto!



A família Koala
Micro, o Koala activo
Miradouro na Wharf Street


Tempo houve para visitar o Flecker Botanic Gardens, hoje Cairns Botanic Gardens e os seus lagos centenários. Aberto ao público em 1888 esta pérola botânica é um perfeito paraíso para fauna e flora e claro, para todos aqueles que o visitam. No Conservatório, edifício construído em forma de folha de palmeira típica da região, encontramos uma variadíssima gama de espécies únicas de borboletas, plantas carnívoras, palmeiras e fetos. Percorrendo a floresta tropical deparamo-nos com o Jardim Chinês da Amizade inserido num dos lagos de água doce. Para lá do riacho, o lago de água salgada. Um óptimo passeio.     

Jardim Botânico
Conservatório do Jardim Botânico
Pose de borboleta!
Planta carnívora
Jardim Chinês da Amizade
Lago centenário de água doce inserido no Jardim Chinês da Amizade

Já de regresso ao centro da cidade, visitámos o Cairns Museum situado num dos edifícios de referência. Representando a arquitectura do colonialismo é hoje a escola de Artes de Cairns. Um museu que nos conduz do passado ao presente, consciencializando quem o visita, da gigantesca evolução dos tempos! 

Cairns Museum
Shark Dundee!
Ponto de partida para outras descobertas, esta Cairns é uma cidade com muita qualidade de vida, pessoas hospitaleiras e um clima fantástico. 

Turismo aéreo
Esplanade Lagoon
E pronto, assim se passaram 7 dias no estado de Queensland, entre a cidade provinciana de Cairns e a maravilhosa Grande Barreira de Corais, entre a vila hippie de Kuranda e a sua primitiva floresta tropical inserida no Atherton Tableland. As praias mais a norte fecharam o capítulo "Queensland - The Sunshine State", numa sadia promiscuidade entre floresta e mar. Indiferente ninguém fica. 

CSD


terça-feira, 1 de agosto de 2017

MOSSMAN, PORT DOUGLAS, PALM COVE




Mais um dia em Queensland, mais uma travessia, mais um destino. Outra Austrália por descobrir. Desta feita rumámos 77 quilómetros a norte de Cairns e subimos até Mossman. Se para sul caminhamos por campos, florestas e cascatas, para norte encontramos a sublime mistura entre floresta tropical e mar. É uma paisagem costeira que não deixa ninguém indiferente.

Enquanto se atesta... trabalho juvenil!
Primeira paragem; Mossman Gorge. Inserida novamente na floresta tropical, esta garganta natural oferece-nos paisagens calmantes e águas cristalinas. Aberto em 2012, é um centro de eco-turismo indígena que preserva tradições e emprega aborígenes. Do centro de informações apanhamos um shuttle que, por dentro da floresta, nos conduz à garganta. 

As boas vindas da Kookaburra
Encontrámos um cenário encantador. Perfeita harmonia entre o rio Mossman, que abraçando as enormes pedras por si lapidadas vai deambulando pelo o seu caminho tendo por protecção a floresta tropical. Calma e paz, é o que se respira.

Mossman Gorge
Mossman Gorge
Mossman Gorge
Mossman Gorge
Outros recantos se escondem dentro deste enorme e maravilhoso parque. Por passadiços, trilhos e pontes suspensas fomos deambulando pela floresta, descobrindo miradouros surpreendentes. 

Rio Mossman
Ponte suspensa sobre o riacho Rex
Rio Mossman
Dissemos adeus à Mossman Gorge e iniciámos a descida até Port Douglas. Curiosamente a entrada nesta cidade costeira lembrou-me a nossa Vilamoura. A marina, o conjunto de vivendas harmoniosas e aldeamentos turísticos que se dispõem ao longo da avenida bem arranjada, transportaram-me até Portugal. Um miminho aqui tão longe!

Marina de Port Douglas
Marina de Port Douglas
Capela de Santa Maria ao Pé do Mar
Port Douglas War Memorial
Explorando caminhos, fomos ao miradouro. A vista por uma nesga vale bem a subida íngreme! Ao longe e com todo o seu esplendor, Four Mile Beach. Apesar dos 26 graus sentidos ao sol, o vento forte e fresco afastava os banhistas. Talvez no verão seja mais convidativa! 

Miradouro
Ao fundo Four Mile Beach

Já na praia de Four Mile e apesar do vento frio, uns corajosos fizeram questão de assentar arraiais. Not for me!!!

Four Mile Beach
Pensando na vida!
Anzac Park
Port Douglas ficou vista e já com o crepúsculo no horizonte seguimos caminho pela Capitain Cook Highway. Pela costa, sentido Palm Cove, muitos são os recantos onde pudemos encostar e apreciar as belezas da natureza. Praias sem fim numa Austrália de contrastes. 

Oak Beach / Wangetti Beach
Red Clief Point ???
Construindo pinocos para a posteridade!
Obra quase pronta...
Atmosfera lunar!
Nice!
Seguiu-se Palm Cove, a última paragem desta nossa epopeia. Palm Cove é conhecida como sendo uma praia carismática bem perto de Cairns. Por razões que se desconhecem, estava um frio de rachar, uma ventania diabólica! Ficou no entanto registada para a posteridade mais uma imagem de uma praia do Pacífico. 

Palm Cove Beach
Ao fundo Double Island
Encontros imediatos!
Ao longo de quase 300 quilómetros percorremos um estado de constrastes, uma Austrália diferente, verdejante e costeira que exala esplendor e carisma, não deixando ninguém indiferente. Regressámos a Cairns com o sentimento de missão cumprida e coração cheio. Queensland não é só Barreira de Coral!

CSD

ATHERTON TABLELANDS - PARONELLA PARK


Metemo-nos à estrada. Havia mais Austrália por descobrir. Ainda pelos caminhos de Queensland, alugámos um carrito e iniciámos a exploração das falls. Saímos de Cairns e rumámos a sul decididos a ver tudo. E tanto que há para ver por todo este Wooroonooran National Park!


Walsh's Pyramid
A 25 quilómetros de Cairns integrada numa paisagem campestre, já bem perto de Gordonvale, eis que nos surge imponente a Pirâmide Walsh. De constituição granitica, é uma das maiores e mais largas formações naturais de pirâmides do mundo, com 922 metros de altura. A "Pyramid Race" é um desafio que ocorre em Agosto e somente abraçado pelos mais corajosos e bem preparados fisicamente. Este evento desportivo teve início em 1959, na sequência de uma aposta entre dois produtores de cana de açúcar. Chegar ao cume da pirâmide no menor tempo possível foi o desafio. Hoje, são 11 quilómetros de uma subida sem fim, sinuosa, agreste e uma descida quase em queda livre. O recorde é de 1h15m34s e pertence a Neil Lybinsky. De loucos! Nós... continuámos viagem!

O próximo destino: Lake Berrine. Resultado de uma erupção vulcânica há mais de 10.000 anos, esta cratera cheia de água cristalina é o local ideal para uma pausa. Mesmo sem sol, o lago conforta a nossa vista. A Casa de Chá é o local perfeito para repor energias. Muito bom!  
Lake Berrine
Lake Berrine
Seguimos viagem em direcção a outro lago: Lake Eacham. Mais um lago vulcânico inserido numa paisagem de floresta tropical e muito procurado para veraneio. O dia não convidava a banhos, mas mesmo que convidasse.... não obrigada!

Lake Eacham
Continuando estrada fora, fomos à procura da Curtain Fig Tree em Yungaburra. Esta árvore de figueira, impressionante obra da natureza, estima-se que tenha cerca de 500 anos. A sua formação é curiosa pois resulta da inclinação de uma árvore em direcção a outra formando um ângulo de 45 graus. As raízes aéreas, uma espécie de lianas, vão crescendo a partir da árvore em direcção ao solo formando esta cortina espessa e misteriosa. Algumas raízes têm mais de 15 metros! A natureza é fantástica!   

Curtain Fig Tree
Curtain Fig Tree
Explicação do mistério
Mais descobertas nos esperavam por esta Austrália profunda. O caminho faz-se bem, por estrada harmoniosa ladeada por campos bem tratados que mais parecem jardins. As plantações de cana de açúcar são parte integrante da paisagem e são a perder de vista! São quilómetros de doce em forma de caniçal. Dá gosto conduzir neste lado do mundo, apesar de ser do outro lado da estrada! 

Austrália profunda
Austrália profunda
E chegámos às Malanda Falls, cujo nome aborígene é Tutamonlin. Esta cascata transformada em piscina pública faz as delícias de quem por aqui passa. Este é também o local ideal para se avistarem os "Kanguroos" que sobem às árvores! Não tivemos essa sorte!

Malanda Falls
Tree Kanguru - só para conhecer.
Novamente na estrada à descoberta das Millaa Millaa Falls. Mais Austrália profunda e um trilho por dentro da floresta tropical até à obra da natureza, criada por Deus.

Austrália profunda
Trilho na floresta tropical
Millaa Millaa Falls
Percurso do rio de Millaa Millaa Falls
Seguiram-se a Zillie Falls e a Ellinjaa Falls. Mais duas pérolas da natureza que fazem parte do circuito de quedas de água, em plena floresta tropical australiana. 

Zillie Falls
Ellinjaa Falls
Fechado o circuito das cascatas, rumámos em direcção ao destino final: Paronella Park.


" Everyone has a dream" 

José Paronella, um catalão sonhador, chegou à Austrália em 1913 em busca da vida perfeita. Após vários anos de trabalho árduo no sector da cana de açúcar, José descobriu a semente do seu sonho. Numa viagem pela floresta circundante encontrou o local ideal para edificar o seu castelo e dar asas à sua imaginação. Assim nasceu o Paronella Park. Matilde, a noiva que deixou na Catalunha não conseguiu esperar ... e José casou com a sua irmã mais nova, Margarita. De regresso à Australia em 1929, adquire a terra dos seus sonhos e juntos, começam o que é hoje património histórico.        

Salão de festas com bola de cristal!
Ao longo de vários anos, José Pedro Enrique Paronella foi transformando a floresta densa num local de sonho. Ao lado das Mena Creek Falls, José encontrou o lugar ideal. Começou por construir a famosa escadaria de 47 degraus que viabilizava todas as outras obras pensadas. Por ela subiam e desciam os materiais necessários e o sonho avançava. 

47 degraus que viabilizaram o sonho
O castelo, as áreas de picnic, o campo de ténis, as escadarias, os túneis e as pontes foram as obras que se seguiram com base em memórias de infância. Foram anos de intenso trabalho em nome de um sonho. E que sonho!    


Casa para repouso e descontração
"Lower Refreshment Rooms" e fonte.
Para além das obras em cimento, José plantou ao longo dos vários anos mais de 7.000 árvores tendo sempre em mente o seu projecto paisagístico. Uma das avenidas mais procuradas é a Kauri Avenue, uma fileira impressionantemente de pinheiros Kauri que nos encaminham até à Cascata Mena. 
Avenida de pinheiros Kauri
Em 1933 foi construída a primeira central eléctrica a norte de Queensland para fornecer energia aos 5 hectares que constituíam o Paronella Park. Em 1935 abriu ao publico, convidando todos para sessões de cinema ao sábado à noite e para desfrutarem de todas as acessibilidades disponíveis. Serviço público, portanto! 

Os meus homens na Mena Creek Falls
Mas nem tudo foi um sonho. Paronella Park sofreu ao longo dos tempos algumas vicissitudes naturais e não só. Em 1946, um descarrilamento de toros de madeira desceu colina abaixo e destruiu grande parte das construções. 6 meses mais tarde o parque estava novamente aberto ao público. Furacões e inundações e até incêndios fazem também parte da história deste maravilhoso parque. 

Mena Creek Falls
Mena Creek Falls
José faleceu em 1948, mas o seu legado foi perpetuado através dos seus descendentes e hoje, nas mãos de particulares, continua a deslumbrar quem por lá passa. 


Vista da ponte suspensa
Trio em Paronella Park
A terminar, um refrescante "Margarita icecream", gelado criado pela própria dona da casa nos seus primórdios, mulher do sonhador José. Também ela está de parabéns por ter acreditado no sonho.

CSD