quarta-feira, 25 de abril de 2018

25 DE ABRIL / ANZAC DAY - LEST WE FORGET

O "DIA DA LIBERDADE" E O "ANZAC DAY" 
LEST WE FORGET

ANZAC Memorial and Pool Of Reflection, em Sydney


O destino tem coisas curiosas. Quem diria que a 18.000 quilómetros de casa vinhamos encontrar aqui, na Austrália, um dia 25 de Abril também ele comemorativo e de celebração! Sim, cá e lá são dias feriados, embora as razões das efemérides sejam diferentes. Ora vamos a isto!

Em Portugal chamam-lhe "O Dia da Liberdade" ou "A Revolução dos Cravos". Aqui é ANZAC DAY.

Em Portugal foi o virar da página de um livro de história ditatorial, autocrática e corporativista que durou 41 anos e cujo autor foi António Oliveira Salazar. De 1933 a 1974 viveu-se o tempo do Estado Novo cujo "Movimento das Forças Armadas" se incumbiu de finalizar com a revolução mais pacífica de que há registo na história mundial; A Revolução dos Cravos. Nasce assim um novo livro com o título "3 Ds": Democratizar, Descolonizar e Desenvolver". Nova Constituição, o fim do Colonialismo e a restituição da Liberdade Cívica foram os principais capítulos. O PREC fez tremer as bases do novo sonho num período conturbado de dois anos que terminou com as primeiras eleições livres e o erguer de um novo Portugal. Longe de ser consensual, a revolução dos cravos mudou o eterno jardim à beira mar plantado.

Já em terras de Down Under, ANZAC Day marca o aniversário da chegada das tropas Australianas e Neozelandesas à Península de Gallipoli, na Turquia em 1915. As iniciais  referem-se ao Corpo Armado Australiano e Neozelandês (Australian and New Zeland Army Corps) que juntamente com as tropas da Grã Bretanha se sacrificaram na Batalha de Gallipoli, num confronto em que dezenas de milhares de soldados perderam a vida. Um erro de navegação conduziu os ANZAC à errada localização e à chacina impensável de Gallipoli. Com os turcos (aliados dos alemães) bem posicionados, foram 8 meses de confrontos mortíferos até à retirada. A contabilização das baixas revelou números cruéis e hoje o 25 de Abril é uma homenagem sentida a esses heróis da Primeira Guerra Mundial.    

Mas também a flora deu significado a este dia em ambos os países.
Em Portugal o símbolo da revolução é um Cravo. Celeste Caeiro, funcionária de um supermercado, lembrou-se de distribuir a vermelha flor pelos populares que nas ruas assistiam às mudanças. Eles, por sua vez distribuíram-nas pelos soldados que nas ruas asseguravam as mudanças. Sem local apropriado para guardarem tão simbólica oferta, os militares colocaram-nas nos canos das espingardas. A partir desse dia das espingardas não mais sairiam balas, mas sim flores de Abril.  


Já o símbolo do ANZAC DAY é a Papoila e o Alecrim. São usados na lapela quer no ANZAC DAY quer no Armistice Day (11 de Novembro). 
A Papoila representa todos aqueles que perderam a vida na guerra ou que ainda se encontrem ao serviço do exército. Muito ligada à Primeira Guerra Mundial, esta singela flor era uma das primeiras plantas a germinar e a florescer na lama e no solo dos campos de batalha da Flandres, representando um símbolo de regeneração e crescimento numa terra de sangue e destruição. Tal ficou eternizado no poema "The Flanders Fields" de McCrae.
O Alecrim tem igualmente uma enorme importância para os Australianos. Esta erva aromática cobriu a Península de Gallipoli após a guerra, exalando um aroma delicioso num campo de sofrimento e morte. Também conhecida pela qualidade de melhorar a memória, usa-se à lapela para que nunca se esqueçam os feitos de quem com o seu sangue, defendeu a liberdade deste vasto continente de nome Austrália.  


Manda a tradição neste ANZAC DAY que se comam os Biscoitos ANZAC. Este doce de guerra nasceu da dificuldade e necessidade em se transportarem bens para alimentar os militares nos campos de batalha. Feitos pelas mulheres dos soldados, estes biscoitos eram energéticos e salutares, resistentes ao calor e com uma duração até dois meses. Falta-nos inventar os biscoitos do "25 de Abril"!

ANZAC Biscuits

O dia amanheceu chuvoso, o que para desfiles militares não é o ideal. Estradas cortadas, policia de prevenção, povo à espera. Com uma vista privilegiada assistimos ao início do 103º aniversário do ANZAC DAY e ao despontar do sol, que foi aquecendo os corações daqueles cujos entes, nunca voltaram a casa.    

Estradas cortadas com camiões TIR.
Não vá pegar a moda dos atropelamentos deliberados! 

Desfiles das tropas - Marinha.

Desfile dos miltares do Exército

Desfile dos militares da Força Aérea

Veteranos e familiares de militares da Nova Zelândia


Desfile de Banda Musical de Gaita de Foles

Grupo de cantores da Nova Zelândia


Desfile de Banda Musical

Desfile das bandeiras das unidades combatentes

Cerimónia de homenagem no ANZAC Memorial
Ilustres em homenagem

ANZAC Memorial

Pool Of Reflection - ANZAC Memorial

Na Austrália, ser Aussie!
Fica o meu respeito por aqueles que cá ou lá, tiveram a coragem de erguer a voz para que hoje todos possamos viver em liberdade e em democracia nestes dois maravilhosos países. Viva a Austrália! Viva Portugal! 


CSD

segunda-feira, 9 de abril de 2018

AUSTRALIAN REPTILE PARK


ADVERTÊNCIA:
As seguintes imagens podem ferir susceptibilidades dos leitores mais sensíveis!


Situado em Sumersby, o Australian Reptile Park é um dos maiores lares de animais perigosos da Austrália. Crocodilos, cobras, lagartos, aranhas entre muitos outros fazem parte da panóplia de animais selvagens e venenosos característicos destas terras de Down Under. Impunha-se portanto uma visita por parte destes Crocodiles Dundees!


Lago de Crocodilos

Se bem o pensámos, melhor o fizemos. Pela fresquinha e porque o dia prometia temperaturas tórridas, entrámos na selva! O parque e à semelhança de muitos outros, está bem concebido e bem organizado em termos de actividades e espectáculos interactivos. A cadência de shows está meticulosamente tabelada e calculada para que o visitante não perca pitada! Num deambular cronometrado, fomos seguindo o mapa e encontrando curiosidades. 

Dragão de Komodo à trela!

Safe distance, please!

Mocho emproado!

Tartarugas anãs!

Ao "spider milking", que infelizmente falhámos por muito pouco, sucedeu uma explicação sobre as tartarugas gigantes, logo seguido do alimentar dos Diabos da Tasmânia e do show dos repteis. 

Tartaruga Gigante

Diabo da Tasmânia

Alimentação de Diabo da Tasmânia. Coitado do pinto! 

Extracção do veneno da Black Snake Australiana.
Uma das mais mortíferas do mundo!

Amigos há 15 anos! Uma fêmea fiel!
Afonso, apresento-te a Piton. Piton, este é o Afonso!

Enroladinha no meu moço!

Linda de morrer! Literalmente!

A foto de uma vida!

Macio, esponjoso e frio. Uma experiência única.

Duro, rugoso e morno! Que termostato!

De volta ao mapa do parque, corremos para assistir à alimentação dos crocodilos. 
A música das colunas ecoa primeiramente baixa, aumentado gradualmente de intensidade. Das águas paradas, quase mortas, nascem a medo ondas suaves e em circulo. Depois ... dois pequenos altinhos. Um aqui, outro ali, outro lá, outro mais à frente, outro mais atrás, outro do lado esquerdo, outro do lado direito...O outrora lago morto virou num ápice um turbilhão de águas revoltas. E às cadenciadas pancadas de bastão no chão da plataforma, eis que eles aparecem para comer!.       

Macho Alfa.
Primeiramente é alimentado o macho alfa. Uma galinha morta que desaparece na mandíbula gigante. Retira-se e o festim inicia-se para os restantes membros do grupo. 


Bailado de mandíbulas.

Festim!

Respeito!
Tempo houve para visitar-mos o Crocodilo Elvis, um macho gigante, isolado e que aparentemente entrou em greve de fome! Apesar dos esforços dos tratadores, Elvis não esteve para músicas e ignorando todo o mundo, permaneceu numa letargia impressionante para um monstro pré-histórico! 
Fez-me lembrar um Jack, o de Quensland. Igualmente monstruoso que foi isolado compulsivamente porque, ao contrário deste Elvis, teria apetite em demasia! ... Devorava as companheiras! É duro ser crocodilo! 

Elvis, o crocodilo gigante.
Mais parque havia por desbravar. De volta aos trilhos entrámos no espaço dos já nossos conhecidos Koalas.  Em Cairns pegámos num, aqui e dada a proibição por lei, ficámo-nos pelas vistas. 

No colinho!

Agora a sério!
A soneca na posição mais improvável!

Ponto de equilibrio!

Flying Foxes, os morcegos de cabeça vermelha.

Tempo houve ainda para encontros imediatos com a fotogénica avestruz (Emu) e a selfie com o canguru. 

A avestruz vaidosa

Olha para nós os dois! Smile!


A selfie do ano!

Terminámos em grande esta visita ao Australian Reptile Park com o ex-libris australiano. Descontraído, habituadissimo aos humanos e muito confiante do seu papel no mundo. Quanto a nós, passeio que é passeio já tem de ter Canguru!  


O trio com o Boss australiano.

E a Austrália é isto e muito mais!
CSD

ESCAPADELA À CENTRAL COAST

A região de Central Coast fica a norte de Sydney e tem como atracção principal as extensas praias de areia dourada. O fim de semana alargado era ideal para uma escapadela rápida e sem planos pelos arredores da Grande Sydney. Apesar do Outono já entrado, o verão teimava em não deixar NWS. E nós agradecemos! 

Partimos estrada acima desbravando a costa norte. Primeira paragem Mona Vale Beach. 
A norte da praia de Warriewood, Mona Vale Beach como que se desmembra em duas. A piscina oceânica de rocha protege do mar agreste a Baía ideal para banhos. O dia estava farrusco, o vento a puxar chuva, as gaivotas em terra e os banhistas intimidados. Valeu pela caminhada e pela maresia, que limpa pulmões e areja o cérebro.

Mona Vale Beach

Mona Vale Beach

Mona Vale Beach

Mona Vale Beach

Mona Vale Beach

Seguindo caminho e com a hora do almoço à vista, parámos em Palm Beach. Esta praia de areia dourada estende-se por 2,3 quilómetros em curva desde Little Head a Barrenjoey Head. Paraíso ideal para surfistas consegue igualmente satisfazer na parte sul os banhistas menos radicais. Esta particularidade faz desta praia um local ideal para famílias. O Farol de Barrenjoey dá-lhe aquele toque de "heritage" ideal para uma boa caminhada exploratória. 

Palm Beach

Palm Beach

O sol fazia caretas e o nosso estômago lembrava o avançado da hora. Petiscámos qualquer coisa num bar com um empregado brasileiro e onde encontrámos uma cliente aussie com uma camisola de Portugal! Enfim, Portugal sempre presente no recanto mais recôndito deste mundo!. 

Aguardando o almoço.

Seguiram-se Whale Beach, Avalon Beach, Avoca Beach e Terrigal Beach. Praias que seguem a mesma linha costeira de mar bravio e areia dourada. O sol foi despontando e com ele a beleza singular de cada uma destas praias da Austrália.   


Whale Beach

Whale Beach

Casario de Whale Beach

Avalon Beach

Avalon Beach

Avoca Beach

Avoca Beach

Avoca Beach

Terrigal Beach é um destino de férias por excelência. Recordou-me algumas praias do nosso Algarve, onde à esquerda a praia nos diz que estamos de férias, para logo à direita a cidade nos bombardear com o dia a dia efervescente. A esplanada à beira praia ajusta o nosso relógio para o tempo de lazer. E o geladito, soube pela vida!


Terrigal Beach

Terrigal Beach

O sol de outono estava apressado e local para pernoitar, impunha-se. Se há característica comum aos fim de semana prolongados é ... "no vacancy". Voltámos à estrada e agora a prioridade era "hotel". De olhos bem abertos, estrada acima e após algumas negas, lá encontramos poiso para a noite, bem próximo de The Entrance, destino completamente esgotado.

Entre Newcastle e Sydney, The Entrance é um destino de praia e férias muito apetecível. O seu nome advém do estreito canal que liga o Lago Tuggerah ao oceano. Activa ao longo de todo o ano, esta cidade é principalmente conhecida pelo espetáculo diário de alimentação de Pelicanos.



The Channel

The Chanel

Pesca no The Chanel

The Channel

Pelicanos 

Pelicano

Pelicano

Memorial Park

War Memorial




O Por do Sol em The Entrance

No crepúsculo de The Entrance

A lua e o candeeiro!


O dia amanheceu quente, e quente na Austrália são 32ºc de um sol inclemente e uma aragem inexistente. Mas o programa inicialmente pensado era para cumprir e o destino foi o Australian Reptile Park em Sumersby. Considerado um dos maiores e melhores parques de repteis da Austrália, impõe-se um novo relato para muito breve. 

E assim nos escapamos pela costa a norte de Sydney, dois dias de uma lufada de ar fresco com sabor a mar e a iodo.

CSD